Se tem algo que une os brasileiros de Norte a Sul é a velha e boa sofrência. Dói, aperta o coração, mas quem nunca soltou a voz junto com aquela música sertaneja e sentiu que a cantora estava contando exatamente a sua história? O fenômeno das cantoras sertanejas que sabem falar – ou melhor, cantar – de sofrência, ganhou espaço nos últimos anos e transformou a música sertaneja em palco de desabafos, superações e muita emoção. Se você já chorou ouvindo Marília Mendonça, se afogou nas lágrimas com Maiara & Maraisa ou se reconstruiu depois da tempestade ao som de Simone & Simaria, saiba: você não está sozinho!
A força feminina no sertanejo veio com tudo, principalmente a partir da década de 2010, quando mulheres começaram a ocupar com mais destaque as paradas de sucesso. Marília Mendonça foi, sem dúvidas, a grande precursora desse movimento. Conhecida como a “Rainha da Sofrência”, Marília não só deu voz às dores de milhões, mas também vendeu mais de 10 milhões de discos e foi a artista mais ouvida no Brasil em 2019 e 2020 segundo o Spotify. Com versos sinceros e diretos, ela eternizou hits como “Infiel”, “De Quem é a Culpa?” e “Todo Mundo Vai Sofrer”. Quem nunca se sentiu abraçado por uma dessas músicas nas horas de dor de cotovelo?
Outra dupla que merece destaque é Maiara & Maraisa. As gêmeas trouxeram um novo fôlego para o sertanejo universitário com letras carregadas de emoção, dramas amorosos e aquela pitada de humor ácido que todo mundo adora. “Medo Bobo” virou hino entre as solteiras e “Aí Eu Bebo” é quase um convite coletivo para reunir os amigos e lavar a alma – de preferência, com um copo na mão. O sucesso delas é tão grande que, só em 2024, conquistaram mais de 1,5 bilhão de streams nas plataformas digitais.
Simone & Simaria, as “coleguinhas” mais queridas do Brasil, também sabem bem como transformar sofrimento em hit. Com músicas como “Regime Fechado” e “Meu Violão e o Nosso Cachorro”, elas mostram que, sim, é possível rir da própria desgraça e ainda sair mais forte do que nunca. Não à toa, as irmãs colecionam prêmios e são presença constante nos maiores festivais sertanejos do país.
E que tal Yasmin Santos? A jovem cantora é uma das apostas da nova geração e já conquistou seu espaço na sofrência, trazendo uma pegada mais romântica e letras que abordam as dores e delícias dos relacionamentos modernos. “Saudade Nível Hard” viralizou nas redes sociais e mostrou que não importa a idade: todo mundo sofre igualzinho!
A sofrência sertaneja não é apenas sobre tristeza – é sobre se reconhecer, rir das próprias situações e, claro, superar. Essa onda feminina que tomou conta do sertanejo mudou as regras do jogo, abrindo portas para que novas vozes possam cantar (e gritar) suas verdades. Além de entreter, essas cantoras funcionam como um grande abraço coletivo, mostrando que, no fim das contas, ninguém sofre sozinho.
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