Os Instrumentos Essenciais no Samba

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Quando se fala em samba, impossível não pensar imediatamente em uma batucada animada, no batuque que faz o pé bater sozinho no chão e, claro, no sorriso estampado no rosto de quem escuta. O samba é uma paixão nacional, daqueles ritmos que não deixam ninguém parado – e, por trás de toda essa energia, estão os instrumentos essenciais responsáveis por dar vida a esse som inconfundível. Vamos mergulhar nesse universo musical recheado de ritmo, tradição e um temperinho brasileiro que não existe igual em lugar nenhum do mundo.

O samba nasceu do encontro de culturas africanas, indígenas e europeias no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, por volta do início do século XX. Mas nada disso teria acontecido se não fossem os instrumentos que, juntos, costuram a alma da festa: cada um com seu papel, mas todos caminhando na mesma avenida sonora.

Começamos pelo pandeiro, praticamente o “cartão de visitas” do samba. Esse instrumento de percussão, que parece um tamborim com espelhos (as famosas platinelas), é pequeno no tamanho, mas gigante na importância. Com seu som seco, suas batidas e estalos, ele dita o ritmo e marca o compasso, sendo peça-chave tanto no samba de roda quanto no pagode, partido-alto ou samba-enredo. Dizem por aí que um bom sambista reconhece quando um pandeiro está bem afinado só pelo cheiro… mas isso a gente deixa para os especialistas!

Outro queridinho das rodas de samba é o tantã, cujo som grave embala o ritmo e serve como base para os demais instrumentos. Ele substitui, em muitos grupos de samba, o surdo – aquele tambor enorme que é indispensável nas escolas de samba e nos desfiles de carnaval, responsável por dar o “coração” da batucada. O surdo é quem marca o tempo forte do samba-enredo, aquele “tum” que a gente sente tremer o chão da avenida.

Falando em batuque, não podemos esquecer do reco-reco, que faz aquele som de “scritch-scritch” inconfundível. Feito geralmente de metal ou madeira, é tocado com uma baqueta ou vareta e contribui para a marcação rítmica, dando uma textura especial ao samba. E, claro, temos o agogô, instrumento de origem africana que traz aquela sonoridade metálica característica, com duas campanas de tamanhos diferentes, tocadas com uma baqueta. Ele adiciona um brilho especial à percussão, além de permitir algumas variações bem criativas no ritmo.

Agora, para quem gosta de melodias e harmonia, o cavaquinho é indispensável. Pequeno, de quatro cordas, ele é praticamente o “guitarrista” do samba, responsável por acompanhar e, muitas vezes, liderar a base harmônica das músicas. Se você já ouviu aquele som alegre, “estalado”, com acordes rapidinhos, pode apostar que era um cavaquinho brilhando. E, para dar aquela completada, quem aparece também é o violão de 6 ou 7 cordas. O de 7 cordas, inclusive, é uma invenção totalmente brasileira e permite linhas de baixo mais elaboradas, fazendo a cama sonora para os solistas brilharem.

Não podemos esquecer do tamborim, aquele tamborzinho ágil que os passistas adoram girar no alto, principalmente nas escolas de samba. Tocando com baquetas fininhas, os ritmistas arrancam sons agudos e inconfundíveis, que ajudam a construir os desenhos rítmicos do samba-enredo. Junte a isso o ganzá ou chocalho, que são instrumentos de efeito, trazendo ainda mais textura e completando o “time de peso” da bateria.

E por falar em bateria, você sabia que nas escolas de samba do Rio de Janeiro uma bateria pode ter até 250 ritmistas? Isso mesmo! Uma verdadeira orquestra de percussão, cada um com seu instrumento e papel específico. É tanta gente e tanto som, que só ouvindo de perto para entender como tudo isso se transforma em música.

Além desses instrumentos essenciais, o samba é um estilo aberto à criatividade. Não é raro ver grupos incorporando outros sons, como a cuíca (aquele instrumento que faz um som “chorado” e engraçado, puxando uma corda dentro de um tambor) ou ainda instrumentos de sopro e teclas em arranjos mais modernos. Mas os pilares do samba continuam firmes: percussão marcante, cavaquinho animado e violão harmonizando tudo.

Ao longo da história, mestres como Cartola, Dona Ivone Lara, Noel Rosa, Beth Carvalho e tantos outros deram ainda mais cor e vida ao samba, explorando todas as possibilidades desses instrumentos. E, mesmo com a tecnologia de 2025 permitindo misturas cada vez mais ousadas, é impossível imaginar uma boa roda de samba sem esse arsenal clássico.

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