Se tem uma coisa que une amantes da música e curiosos de plantão, é aquele frisson em torno de músicas que, de repente, viram alvo de polêmica, são canceladas, proibidas ou simplesmente banidas das playlists. Seja por letras controversas, mensagens ocultas (ou nem tanto), videoclipes ousados ou contextos históricos que não perdoam, algumas faixas conseguiram ultrapassar o limite do aceitável e entraram para o hall da fama dos escândalos musicais. Prepare-se para revisitar algumas dessas histórias que fizeram o mundo parar para debater: música pode tudo mesmo?
Vamos começar voltando aos anos 80, quando Madonna, a rainha das polêmicas, lançou “Like a Prayer” em 1989. O videoclipe recheado de símbolos religiosos, cruzes pegando fogo e um santo negro ganhou repúdio do Vaticano e de grupos conservadores ao redor do globo. O hit foi banido de inúmeras rádios e televisões, e a Pepsi cancelou um contrato milionário com a artista. Nada mal para alguém que sempre levou o conceito de “ousadia” a sério.
Falando em anos 80, não dá para esquecer de “Relax”, do Frankie Goes to Hollywood, lançada em 1983. A BBC rapidamente barrou a canção devido à sua letra considerada sexualmente explícita, mas um detalhe curioso: o banimento só aumentou a curiosidade do público e ajudou a catapultar o single para o topo das paradas britânicas. Ironia do destino ou marketing de guerrilha involuntário? Fica a reflexão.
Pulando para os anos 90, temos o clássico “Cop Killer”, da banda Body Count, liderada por Ice-T. Lançada em 1992, a música era um protesto explícito contra a brutalidade policial nos EUA. Resultado: indignação generalizada, protestos de autoridades e até ameaças de boicote à gravadora. A pressão foi tanta que a música acabou sendo removida do álbum, mas entrou para a história como símbolo da resistência e da liberdade de expressão.
O pop também tem seus momentos de cancelamento. Em 2004, Janet Jackson e Justin Timberlake protagonizaram o famoso “Nipplegate” no intervalo do Super Bowl, durante a performance da música “Rock Your Body”. Um segundo de seio à mostra foi suficiente para desencadear uma avalanche de críticas, multas milionárias à CBS e o banimento de Janet de várias premiações. O episódio mudou para sempre a forma como transmissões ao vivo são tratadas na TV americana.
No Brasil, a música “Beijinho no Ombro”, da cantora Valesca Popozuda, virou centro de discussão em 2014. Embora não tenha sido oficialmente banida, a faixa foi alvo de críticas de educadores e setores conservadores por sua letra considerada imprópria para crianças e excesso de empoderamento feminino (sim, isso ainda escandalizava por aqui!). O resultado? Mais sucesso, claro, porque brasileiro não resiste a uma polêmica dançante.
Já “Blurred Lines”, de Robin Thicke, Pharrell Williams e T.I., lançada em 2013, viveu um verdadeiro tsunami de controvérsias. Acusada de promover machismo, cultura do estupro e, posteriormente, plágio do clássico “Got to Give It Up”, de Marvin Gaye, a música foi banida de várias universidades e espaços públicos no Reino Unido. No fim das contas, o trio teve que pagar uma bolada após perder o processo de direitos autorais.
E quem nunca ouviu falar da emblemática “God Save the Queen”, dos Sex Pistols? Lançada em 1977, em pleno jubileu de prata da rainha Elizabeth II, a faixa punk foi literalmente proibida nas rádios britânicas por atacar a monarquia de forma aberta e ácida. Mesmo assim, chegou ao segundo lugar das paradas. Prova de que nem o establishment consegue calar o rock’n’roll.
Mais recentemente, “WAP”, de Cardi B e Megan Thee Stallion, foi um dos grandes temas de 2020. O hit, com seu refrão explícito e videoclipe ainda mais ousado, foi acusado de hipersexualização e “mau exemplo”. Por outro lado, também foi celebrado por empoderar mulheres a falarem abertamente sobre sua sexualidade. Entre cancelamentos, memes e debates acalorados, “WAP” dominou as discussões nas redes sociais, mostrando que a música segue sendo um campo de batalha ideológico.
Claro que a lista poderia ser ainda maior: de “Louca de Saudade” de Zezé Di Camargo & Luciano (acusada em 2015 de fazer apologia a stalking) até “Formation”, da Beyoncé, e sua crítica social afiada, não faltam exemplos de canções que colocaram a sociedade para pensar, debater e, sim, se escandalizar.
Uma coisa é certa: música boa é aquela que nos faz sentir — e, às vezes, sentir desconforto faz parte do processo. Se for para escandalizar, que seja com muito ritmo, coragem e, quem sabe, uma playlist dançante para embalar o debate. E se você quer ouvir, criar playlists e descobrir novas polêmicas sonoras, corre lá no Soundz (https://soundz.com.br), a plataforma de streaming de música grátis que também é uma revista digital cheia de conteúdos para todos os gostos. Porque, no fim das contas, a melhor trilha sonora é aquela que te faz pensar… e dançar!
































