Se tem uma coisa que o brasileiro entende é de samba – e, claro, de fazer aquele pagodinho com os amigos enquanto a carne está na brasa. Mas, quando se fala em samba, não dá para deixar de lado as parcerias que marcaram época, emocionaram multidões e conquistaram até quem dizia não gostar do gênero (quem são essas pessoas, afinal?). O samba, mais que um ritmo, é um grande encontro: instrumentistas, poetas, intérpretes e compositores sempre estiveram de mãos dadas, criando juntos verdadeiras obras-primas que atravessaram décadas.
No universo do samba, parcerias memoráveis são quase regra. Quem nunca se pegou cantarolando “O Mundo é um Moinho”, parceria de Cartola e Candeia, mesmo sem saber de quem era a autoria? E isso é só o começo! O samba é terreno fértil para encontros mágicos. Vamos começar lá atrás, nos anos dourados da Rádio Nacional, quando Noel Rosa e Aracy de Almeida juntaram talentos. Noel, o “Poeta da Vila”, encontrou em Aracy uma intérprete capaz de transformar suas letras em clássicos eternos, como “Feitiço da Vila” e “Palpite Infeliz”. Hoje, essas faixas são quase patrimônio histórico e ainda ecoam nas rodas de samba.
Já nos anos 1970 e 80, a coisa ganhou novos contornos. Beth Carvalho, a “madrinha do samba”, era praticamente uma caçadora de talentos. Ela revelou e gravou com gente do calibre de Zeca Pagodinho e Fundo de Quintal. Beth não só dividiu o palco com eles, mas também ajudou a expandir o gênero, levando o samba de raiz para além dos subúrbios cariocas. “Camarão que dorme a onda leva”, gravada por Beth e composta por Arlindo Cruz e Sombrinha, é só um exemplo da força dessas parcerias.
Falando em Arlindo Cruz, é impossível esquecer sua dobradinha com Sombrinha. Juntos, eles criaram clássicos como “Além do Meu Querer” e “O Mapa da Mina”, músicas que até hoje são hinos nas rodas de samba do Brasil todo. Vale lembrar também a parceria de Jorge Aragão, outro mestre do cavaquinho, com artistas como Beth Carvalho e Alcione. Aragão, aliás, é tipo figurinha carimbada: já escreveu e gravou com quase todo mundo do samba.
Na virada do século, Martinho da Vila e Mart’nália, pai e filha, mostraram que samba também é coisa de família. Martinho, com sua voz inconfundível, trouxe Mart’nália para o jogo, e juntos gravaram “Canta, Canta, Minha Gente” e “Pra Que Chorar”. Essa conexão de gerações transformou o samba em herança cultural, passando de pai para filha e para todos nós, claro.
E se você pensou que as parcerias ficaram só entre sambistas, está enganado! O samba também dialogou com outros estilos e artistas. Em 2016, por exemplo, Diogo Nogueira e Maria Rita lançaram juntos “Tá Faltando o Quê?”, mostrando que a mistura de vozes e estilos pode renovar o gênero sem perder a essência. Outro momento marcante foi quando Alcione dividiu microfone com Djavan em “Deus Me Livre”, uma fusão de samba com a suavidade da MPB.
Atualmente, o samba segue se reinventando com encontros surpreendentes. Ferrugem, por exemplo, já gravou com Ludmilla, mostrando que o pagode pode (e deve!) ter espaço para novas vozes e ritmos. Outro destaque é a parceria entre Péricles e Thiaguinho, que além de amigos pessoais, já dividiram composições e palcos em diversas ocasiões, mantendo viva a chama do Exaltasamba e levando milhões de fãs ao delírio.
Essas parcerias inesquecíveis não só fortalecem o samba como tradição, mas também ajudam a trazer o gênero para novas gerações. Afinal, samba é coletivo, é festa, é troca – e, cá entre nós, sempre tem espaço para mais um no palco e no coração dos fãs.
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