Música

Os artistas da MPB que mais se apresentaram em festivais de música

Se você pensa que festival de música é coisa só de jovem com glitter na cara e tênis branco na lama, senta aí porque a história é longa, vibrante e, claro, genuinamente brasileira. A Música Popular Brasileira, a nossa querida MPB, nasceu, cresceu e se reinventou nos palcos dos festivais. E olha, ninguém aproveitou tanto essa onda quanto alguns dos nossos maiores artistas, que transformaram a maratona festivalística em uma verdadeira arte. Agora, que tal embarcar numa viagem pelo tempo, pelas canções e, claro, por aquelas histórias cabeludas dos bastidores? Bora descobrir quem são os artistas da MPB que mais se apresentaram em festivais de música e por que eles conquistaram esse espaço cativo nos corações – e nos line-ups – do Brasil?

Quando pensamos em festivais históricos, logo vêm à mente nomes como Festival da Record, Festival Internacional da Canção, MPB Shell, Free Jazz Festival, Rock in Rio, e, mais recentemente, Planeta Atlântida, Lollapalooza, Coala Festival, e por aí vai. Em cada década, seja nos anos 1960 de protestos e canções engajadas ou nos 2000s de misturas eletrônicas, alguns nomes aparecem mais que feijoada em sábado carioca.

Vamos começar pelo mestre dos mestres: Gilberto Gil. O baiano é praticamente o “rei do camarote” dos festivais nacionais. Desde o Festival da Record de 1967, com “Domingo no Parque”, até a edição comemorativa dos 50 anos do mesmo festival em 2017, Gil se apresentou em incontáveis festivais, tanto no Brasil quanto no exterior. Só no mercado nacional, estima-se que Gil tenha participado de cerca de 70 festivais ao longo da carreira, entre eventos independentes, universitários e os megafestivais televisionados. E não é para menos: além de carisma transbordante, o baiano nunca se acomodou, sempre trazendo novidades para o palco.

E por falar em inovação, ninguém poderia deixar de mencionar Caetano Veloso. Parceiro de Gil na Tropicália e na vida, Caetano passou por todos os palcos possíveis – dos festivais da Record e Globo, nos anos 1960 e 1970, até se tornar figurinha carimbada em eventos como Rock in Rio e Coala Festival. Estima-se que Caetano tenha feito mais de 60 participações oficiais em festivais, fora os eventos menores e participações especiais-surpresa (e ele adora uma surpresa!).

A lista dos mais festivaleiros segue com Gal Costa, que, até seu falecimento em 2022, era presença obrigatória nos festivais de MPB e, nos últimos anos, se reinventou ao lado de novas gerações no Coala Festival, no Primavera Sound e no Circuito Banco do Brasil. Gal participou de pelo menos 50 festivais nacionais ao longo de sua brilhante carreira.

Não podemos esquecer a nossa “pimentinha” Elis Regina. Apesar de ter uma carreira relativamente curta, Elis foi absolutamente onipresente nos festivais entre 1965 e 1975, vencendo prêmios, encantando plateias e, claro, sendo protagonista de polêmicas históricas – como quando interpretou “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, no Festival da Record de 1965. Estima-se que Elis participou de ao menos 30 festivais no Brasil e no exterior, abrindo portas para futuras gerações.

Entre os nomes da nova geração, Maria Gadú e Tulipa Ruiz despontam como as novas queridinhas dos festivais. Gadú, desde sua estreia em 2009, já soma mais de 40 participações em festivais nacionais e internacionais, enquanto Tulipa, com sua voz marcante e presença de palco, se apresenta em média em cinco grandes festivais por ano desde 2010, totalizando cerca de 35 eventos até 2026.

E para quem acha que samba não tem vez, Mart’nália e Zeca Pagodinho mostram que os festivais também são reduto do batuque. Mart’nália é regular em festivais como o Festival de Inverno de Garanhuns, o Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga e o Rock in Rio, somando mais de 25 participações. Zeca, com seu jeito irreverente, já subiu ao palco de pelo menos 20 festivais, sempre com a cerveja gelada e o sorriso fácil.

Um nome que não pode ficar de fora é Milton Nascimento. Desde o lendário Festival Internacional da Canção de 1967, quando apresentou “Travessia”, Milton soma mais de 40 participações em festivais, sempre com plateias em êxtase e lágrimas nos olhos. Seu legado nos palcos é tão grande quanto sua voz celestial.

Para fechar com chave de ouro, vale mencionar Daniela Mercury, que desde os anos 1990 é rainha nos carnavais e festivais, e Chico César, que agita desde festivais universitários do Nordeste até os mais hypados de São Paulo e Rio.

O segredo de todos esses artistas? Talento, reinvenção, humildade e, claro, aquela pitada de ousadia – porque em festival é tudo ao vivo, sem segunda chance. Eles provaram que estar no palco de festival não é só repetir hits, mas sempre entregar emoção nova, arriscar repertórios, interagir com o público e viver o momento intensamente.

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