Se você já se pegou batucando com os dedos na mesa ao ouvir aquela batida familiar em uma música nova, saiba que talvez você esteja sentindo o impacto dos samples icônicos na música urbana. Sabe aquele som que parece ter vindo direto do túnel do tempo? Seja um riff de guitarra dos anos 70, um loop de bateria dos anos 80 ou até mesmo uma risada que virou trilha sonora de século XXI — os samples estão por toda parte, e seu poder de transformar a música urbana é inegável.
Os samples são pequenas (ou nem tão pequenas assim) porções de músicas, falas, ruídos e até trilhas sonoras, reaproveitadas em novas composições. Eles são a alma da música urbana moderna: do hip-hop ao trap, do funk ao pop, nada escapa do poder de um bom sample. Desde que Grandmaster Flash usou trechos de discos de soul e funk para criar os primeiros beats do hip-hop, lá na década de 1970, o universo musical nunca mais foi o mesmo. O lendário “Amen Break” — um trecho de bateria de seis segundos gravado pela banda The Winstons em 1969 —, por exemplo, já foi usado em milhares de músicas de gêneros variados, de N.W.A. a Oasis, de Prodigy a Missy Elliott. Isso porque, na música urbana, tudo é remixável!
No Brasil, a influência dos samples é ainda mais intensa. Os Racionais MC’s, por exemplo, eternizaram a técnica ao usar vinhetas de Tim Maia, Jorge Ben Jor e Marvin Gaye, trazendo um frescor nostálgico para um discurso novo e atual. O funk carioca, por sua vez, também é mestre na arte do sample: hits como “Rap das Armas” e “Créu” usaram e abusaram de fragmentos de músicas internacionais para criar sons envolventes e dançantes. E, vamos admitir, quem nunca percebeu aquele recorte esperto de “Harlem Shake”, do Baauer, em algum baile por aí?
Por trás dos samples icônicos existe uma engenharia criativa. Com softwares cada vez mais poderosos, artistas podem manipular, acelerar, distorcer e transformar qualquer fragmento sonoro em algo totalmente novo. O resultado? Uma ponte entre gerações, onde sons do passado conversam com as batidas mais atuais. Não à toa, Kanye West ficou famoso por transformar vocais de soul vintage em hinos modernos, como em “Gold Digger” (que sampleia Ray Charles) e “Stronger” (com Daft Punk). Já no cenário nacional, artistas como Djonga e Karol Conká usam samples para criar camadas sonoras cheias de identidade e história.
A influência dos samples não está só na sonoridade. Eles têm papel fundamental na cultura, conectando novas gerações a legados artísticos e sociais, promovendo debates sobre direitos autorais, originalidade e criatividade. Afinal, samplear é também homenagear, reinterpretar e, por vezes, ressignificar. Tanto que, em 2025, o tema segue quente: a cada mês, milhares de músicas lançadas mundialmente contêm samples, de acordo com a plataforma WhoSampled.
E não pense que o público não nota: listas e memes sobre samples famosos viralizam nas redes sociais, alimentando discussões e curiosidades. A história por trás de cada sample vira assunto em rodas de conversa, podcasts e vídeos no TikTok, consolidando ainda mais a relevância desse recurso para a música urbana contemporânea.
Portanto, da próxima vez que ouvir algo familiar em uma música nova, lembre-se: a mágica dos samples está em manter viva a chama da criatividade e da memória musical, misturando passado e presente em hits que não saem da cabeça — nem das playlists.
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