Se tem uma coisa que o brasileiro gosta tanto quanto música é de uma boa polêmica. Em tempos de redes sociais, basta uma letra de música mais ousada, uma palavra controversa ou até mesmo uma referência fora do padrão para incendiar debates acalorados na internet. Nos últimos anos, algumas letras de músicas recentes conseguiram conquistar não apenas as paradas de sucesso, mas também uma quantidade invejável de haters e defensores apaixonados, gerando discussões que vão muito além do simples “gostei ou não gostei”. Prepare-se para lembrar, rir e talvez até discordar: vamos passear pelas canções que deram o que falar!
Vamos começar com o fenômeno “Tá OK”, do Dennis DJ com Kevin O Chris, que explodiu em 2023. O refrão chiclete (“Tá OK, tá OK…”) virou meme, trend no TikTok e até trilha sonora de eleição, mas foi uma parte específica da letra que gerou revolta: “Eu sou favela, mas meu coração é nobre”. Muitos elogiaram a valorização das origens periféricas, enquanto outros apontaram para a romantização da desigualdade e o reforço de estereótipos sobre moradores de comunidades. O debate foi longe, com thread atrás de thread no X (antigo Twitter) e até especialistas em sociologia opinando. Quem diria que um beat tão animado geraria tanta discussão acadêmica?
Outra que não ficou atrás foi “Funk Rave”, da Anitta. Lançada ainda em 2023 e parte da estratégia da cantora de dominar o mundo (e os charts internacionais), a faixa trouxe versos como “Hoje eu vou descer, vou até o chão, não quero saber, faço confusão”. O problema? Para além da pegada sensual típica do funk, internautas acusaram a letra de promover comportamentos irresponsáveis em festas e ignorar debates sobre saúde mental e consumo consciente. Anitta, rainha da lacração e da resposta rápida, não deixou barato: usou suas redes para defender o direito à liberdade artística, mas isso só aumentou o burburinho. Resultado: mais streams, mais trending topics e, claro, mais polêmica.
E quem não se lembra da treta envolvendo “Ai, Preto”, de L7nnon, Bianca e Biel do Furduncinho? O refrão pegou rápido, mas logo surgiram críticas sobre apropriação e estereotipação de corpos negros, além do uso de expressões consideradas ofensivas por alguns grupos. Até campanhas pedindo boicote surgiram, enquanto outros defendiam a música como uma celebração da cultura negra nas favelas. A polêmica foi tanta que diversos programas de televisão e podcasts brasileiros discutiram o tema, colocando a canção sob os holofotes e levantando questões importantes sobre representatividade e responsabilidade social no mainstream.
Saindo um pouco do funk e indo para o pop, “Desculpa, Mãe”, da Manu Gavassi, também causou frisson. Em tom confessional, Manu canta sobre experiências de juventude, festas e questiona padrões impostos pela sociedade. O verso “Cansei de fingir que sou perfeita, desculpa, mãe” foi celebrado por fãs, mas encontrou resistência entre conservadores nas redes, que viram na faixa um incentivo à rebeldia juvenil e à “falta de limites”. A própria Manu entrou no debate, defendendo a importância de falar sobre saúde mental e autenticidade. O resultado? Um hit com direito a textão no Instagram – porque polêmica boa não vive só de áudio.
Falando em rebeldia, o sertanejo universitário também deu sua contribuição ao caldo da discórdia. “Ex Que Fala Mal”, de Maiara & Maraisa, trouxe versos provocativos sobre relacionamentos fracassados e indiretas nada sutis (“Ex que fala mal é porque sente falta”). Pronto: bastou isso para movimentos ligados à luta contra misoginia levantarem questionamentos sobre normalizar relacionamentos tóxicos. Ao mesmo tempo, fãs defenderam a música como uma catarse coletiva – afinal, quem nunca quis mandar uma indireta para aquele ex?
Em 2024, a banda Lagum lançou “Ninguém Me Ensinou”, que rapidamente viralizou e também dividiu opiniões. A letra, que fala sobre crescer sem as respostas certas e cometer erros, foi vista por muitos jovens como um hino geracional. No entanto, uma parte da crítica apontou para uma suposta “glamourização do fracasso”, acusando a canção de incentivar a falta de ambição. É claro que o assunto virou meme e pauta de vídeos no YouTube, com direito a debates filosóficos e muito meme no Instagram.
O que tudo isso mostra? Que letras de músicas nunca foram um simples passatempo. Elas são espelhos – às vezes distorcidos – de debates que atravessam a sociedade. E, numa época em que todo mundo tem voz na internet, basta uma rima ousada para virar pauta nacional. Polêmicas à parte, o importante é continuar refletindo, ouvindo e, claro, dançando – porque, no fim das contas, ninguém é de ferro.
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