Sabe aquela sensação de já ter ouvido uma batida ou um riff em algum lugar antes, mesmo quando você está ouvindo uma música completamente nova? Não se preocupe, você não está ficando maluco: é só o poder dos samples trabalhando, discretamente, na trilha sonora da sua vida. Usados por produtores famosos desde a ascensão do hip hop nos anos 80 até os hits dançantes que tomam conta do TikTok em 2025, os samples são o segredo por trás de muitos dos sons mais icônicos do universo pop. Então, que tal embarcar numa viagem pelos samples mais legendários já usados e descobrir como eles mudaram a história da música?
Não dá para falar de samples sem mencionar “Amen Brother”, da banda The Winstons. Lançado em 1969, esse soul instrumental carrega o famoso “Amen Break”, um loop de bateria de seis segundos que virou base para milhares de faixas, do drum and bass britânico até o rap americano. Artistas como N.W.A, Prodigy e até Oasis já deram seu jeitinho de homenagear (ou melhor, “samplear”) esse pedaço de história. Para você ter uma ideia, estima-se que o Amen Break já foi usado em mais de 6.000 músicas oficialmente registradas – e esse número só cresce!
Falando em baterias inesquecíveis, “Funky Drummer”, de James Brown, também merece seu lugar no pódio. O groove de bateria criado por Clyde Stubblefield em 1970 se tornou um verdadeiro patrimônio do hip hop, sendo sampleado em clássicos como “Fight The Power” do Public Enemy e “Let Me Ride” do Dr. Dre. James Brown, aliás, é um dos artistas mais sampleados do mundo – em 2023, liderava rankings do site WhoSampled, com mais de 7.000 samples em outros trabalhos.
Outro exemplo irresistível é “Gimme Shelter” dos Rolling Stones, que emprestou suas notas tensas e vocais marcantes para trilhas sonoras e remixes ao longo das décadas. E por falar em vocais, “Think (About It)”, de Lyn Collins, lançada em 1972, tem aquele “Yeah! Woo!” que você já ouviu em funks, raps, pop e até na trilha de festas universitárias. O produtor Rob Base, por exemplo, eternizou o sample em “It Takes Two”, um dos maiores hinos do hip hop.
Mas calma, o sampling não fica só no hip hop! No pop, Daft Punk transformou “Harder, Better, Faster, Stronger” ao usar um trecho de “Cola Bottle Baby”, de Edwin Birdsong, levando a cultura do sample para as pistas de dança do mundo todo. Já Kanye West virou mestre em reinventar canções antigas, como fez em “Stronger”, onde sampleou “Harder, Better, Faster, Stronger” dos próprios Daft Punk, numa espécie de looping infinito de genialidade. Jay-Z é outro que não economiza nos samples, e “99 Problems”, por exemplo, mistura trechos de Ice-T com Billy Squier, provando que, sim, tudo pode ser remixado.
Falando em Brasil, não podemos deixar de citar o funk carioca, que construiu sua identidade a partir de samples de Miami Bass e batidas eletrônicas. Músicas como “Rap das Armas” transformaram-se em fenômenos globais, mostrando que o sample, além de homenagear, tem o poder de criar novas culturas. O produtor Dennis DJ, por exemplo, é mestre em misturar referências, e já declarou em entrevista que sua coleção de vinis antigos é fonte inesgotável de inspiração.
Na era digital, com ferramentas como o Ableton Live e o FL Studio, samplear ficou mais fácil e democrático. Isso, claro, trouxe debates acalorados sobre direitos autorais, mas também permitiu que jovens produtores criassem hinos virais a partir de sons esquecidos. Em 2021, Olivia Rodrigo usou elementos inspirados em “Misery Business” do Paramore em “Good 4 U”, reacendendo debates sobre influência, homenagem e originalidade – mas também mostrando que ninguém faz sucesso sozinho.
O mais fascinante é ver como produtores famosos conseguem transformar um riff esquecido dos anos 70 em um hit do século XXI. O sample é uma ponte entre gerações, estilos e culturas. É nostalgia, inovação e, por que não, uma bela cutucada na memória musical da gente. Então, da próxima vez que ouvir aquela batida familiar numa música nova, lembre-se: por trás de todo hit existe uma história – e muitas vezes, um sample genial que merece ser celebrado.
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