Imagine escutar aquela batida irresistível de “Crazy in Love” da Beyoncé e, do nada, perceber que algo nela soa… familiar. Ou descobrir que o riff viciante de “Stronger” do Kanye West tem um pezinho no Daft Punk. Sim, meus caros, o mundo da música é um verdadeiro parque de diversões sonoras, e os samples são os brinquedos mais disputados. Mas será que os artistas originais curtem ver suas criações ressurgindo em novos hits? Vem comigo desvendar os bastidores dos samples mais icônicos e saber o que os donos da bola realmente pensam sobre isso!
Os samples são a alma do looping: aquela técnica engenhosa, nascida nos anos 1970 nos porões do hip hop, onde DJs recortavam trechos de faixas antigas para criar sons novinhos em folha. Com o avanço da tecnologia e a popularização do sampler digital, virou praticamente impossível passar um dia sem ouvir um sample pipocando por aí—de hits pop a trilhas de comerciais. Mas, para além dos processos jurídicos (alô, advogados musicais!), a relação emocional dos artistas originais com seus samples é cheia de nuances, indo da aprovação entusiasmada ao ressentimento honesto.
Pegue, por exemplo, a lenda do soul Aretha Franklin. Em 1995, quando Lauryn Hill produziu “Doo Wop (That Thing)” usando, de leve, algumas inspirações do clássico “Respect”, Aretha não apenas aprovou, como elogiou a nova geração por “reviver o sentimento” da sua música. Em entrevistas, ela chegou a dizer que se sentia “imortalizada” ao ver suas criações ganhando novas vidas. Já Stevie Nicks, do Fleetwood Mac, soltou o maior sorriso ao ouvir o sample de “Edge of Seventeen” em “Bootylicious”, das Destiny’s Child. Ela até apareceu no clipe! Tem como ser mais good vibes?
Mas nem tudo são flores. Tom Scholz, do Boston, não ficou nada feliz ao saber que Eminem sampleou “Foreplay/Long Time” em “Sing for the Moment”. Apesar de o rapper ter pedido permissão e pago os devidos royalties, Scholz confessou em uma entrevista para a Rolling Stone que achava “estranho” ouvir sua música totalmente descontextualizada. Já Sting, ao saber que “Every Breath You Take” foi sampleada em “I’ll Be Missing You” — aquele tributo do Puff Daddy ao Notorious B.I.G. —, ficou dividido. Ele só soube depois do lançamento, mas, no fim das contas, os direitos autorais renderam tanto que virou piada: “Toda vez que o telefone toca, é o banco dizendo que caiu mais um pagamento!”, brincou Sting em 2024, durante um podcast.
E quando a coisa vira treta judicial? O caso de “Ice Ice Baby” do Vanilla Ice, que usou sem autorização o baixo de “Under Pressure” do Queen e David Bowie, é clássico. Inicialmente, Vanilla Ice tentou bancar o esperto dizendo que o riff era diferente (spoiler: não era). Depois de muita pressão (com o perdão do trocadilho), tudo se resolveu com um acordo fora dos tribunais—e muitas piadas dos envolvidos. Bowie, inclusive, ironizou anos depois: “Pelo menos agora o mundo sabe que aquele riff é nosso!”
Interessante notar como alguns artistas encaram samples como homenagem, enquanto outros veem como uma espécie de invasão de privacidade criativa. Paul McCartney, por exemplo, ficou lisonjeado quando Jay-Z e Kanye West usaram “The End” dos Beatles em “Otis”. Já John Fogerty, do Creedence Clearwater Revival, revelou em 2025 que prefere ver suas músicas intactas: “Acho que, se quiserem fazer algo novo, façam algo realmente novo.” Sincero, né?
No Brasil, outro universo à parte. O mago Tim Maia já dizia nos anos 1990 que “música boa merece viver para sempre”. Por isso, quando Mano Brown usou samples de clássicos da soul music em Racionais MC’s, boa parte dos artistas originais ficou orgulhosa de ver a influência atravessando gerações. Já Caetano Veloso confessou em 2023, em entrevista ao Soundz, que adora quando suas músicas aparecem remixadas: “Isso é pop, é comunhão!”
Resumindo, samplear é uma arte que mistura respeito, criatividade e, claro, contratos bem amarradinhos. Se os artistas originais vão amar ou torcer o nariz? Só o tempo (e os extratos bancários) dirão! E você, lembra de algum sample que te surpreendeu? Conta pra gente e bora descobrir mais curiosidades musicais, playlists e novidades do universo sonoro lá no Soundz (https://soundz.com.br). Plataforma de streaming de música grátis, escute músicas e crie playlist. Além de uma revista digital completa de diferentes assuntos. Vai perder?
































