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Plágio ou Homenagem? Os Samples Mais Icônicos e Polêmicos

Plágio ou Homenagem? Os Samples Mais Icônicos e Polêmicos

Se você é do tipo que não resiste a um bom beat e curte fuçar playlists atrás daquela batida que parece familiar, talvez já tenha se perguntado: será que esse som é plágio ou uma homenagem? No universo da música, especialmente no hip hop, pop e eletrônica, o uso de samples – aqueles trechos emprestados de músicas antigas para dar vida nova a uma faixa moderna – é uma arte, uma polêmica e, às vezes, um campo minado jurídico.

Para quem acha que samplear começou ali nos anos 80 com o surgimento do hip hop, é bom lembrar que os primeiros DJ’s já faziam suas aventuras sonoras com fitas e tocadiscos, misturando breaks de funk e soul, como os lendários Kool Herc e Grandmaster Flash. Mas a parada ficou realmente séria quando os samplers digitais apareceram, permitindo que artistas cortassem, colassem e reinventassem músicas inteiras com um clique.

Agora, será que toda homenagem é inocente? Vamos passear por alguns dos samples mais icônicos e polêmicos da história, entender o que rolou nos bastidores e decidir: plágio ou homenagem?

Vamos começar com Vanilla Ice e seu clássico “Ice Ice Baby”, lançado em 1990. O riff de baixo é praticamente idêntico ao de “Under Pressure”, de Queen & David Bowie. Se você sentiu que era igual, não foi o único – o próprio Queen entrou com um processo e, no fim das contas, ganhou os créditos e uma boa fatia dos royalties. Vanilla Ice tentou argumentar que tinha uma notinha diferente, mas, convenhamos, nem a mãe dele acreditou muito.

Outro caso famoso: MC Hammer e “U Can’t Touch This”, com aquele groove inconfundível de “Super Freak”, de Rick James. Aqui, pelo menos, rolou um acordo desde o início, e Rick James foi devidamente creditado. O resultado? Ambos ficaram ricos e felizes, e os fãs ganharam dois hinos atemporais para dançar na sala.

Se você gosta de polêmica, não pode ignorar The Verve com “Bitter Sweet Symphony”. A música sampleia um arranjo orquestral de “The Last Time”, dos Rolling Stones. Apesar de terem adquirido os direitos do arranjo, esqueceram de pedir bendição para a gravadora dos Stones, que não perdoou: a banda perdeu os direitos autorais da música por anos. Em 2019, após décadas de disputa, Mick Jagger e Keith Richards devolveram os créditos a Richard Ashcroft, vocalista do The Verve. Antes tarde do que nunca, né?

E no Brasil? Aqui também temos exemplos de samples que causaram frisson. O Racionais MC’s, ícones do rap nacional, usaram samples de Tim Maia, Jorge Ben Jor e até de músicas internacionais, sempre com aquela pegada de protesto e respeito. Em muitos casos, os samples foram aceitos como homenagens, enriquecendo as faixas com camadas culturais. Mas nem sempre é festa – há relatos de processos e pedidos de autorização negados, especialmente quando o sucesso bate forte.

A verdade é que samplear é como aquela receita de família: você pode repetir, mas o tempero é seu. Quando bem feito, pode ser um tributo genial, criando pontes entre gerações e estilos. Quando mal feito (ou mal explicado), vira caso de polícia – ou, pelo menos, de advogado.

Os samples mais celebrados do mundo vão além das polêmicas. Kanye West fez escola ao transformar “Stronger”, do Daft Punk, em um hino moderno, enquanto Eminem deu novo significado a “Dream On”, do Aerosmith, em “Sing for the Moment”. O próprio Daft Punk, mestres da eletrônica, foram sampleados por artistas do mundo inteiro, numa brincadeira de gato e rato musical que só mostra como a cultura do sample é viva e pulsante.

Então, da próxima vez que ouvir aquele som que parece déjà vu, aproveite para pesquisar, descobrir as origens e, quem sabe, criar sua playlist de samples favoritos. Afinal, no final das contas, a música é sobre reinventar, homenagear e, claro, nos fazer dançar (ou processar, se a conta bancária permitir).

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