Quando o assunto são riffs de guitarra, muita gente pensa logo em rock pesado, solos pirados ou até mesmo em intros de clássicos do pop. Mas agora é hora de ajustar o dial para a vibração do reggae, onde a guitarra tem papel fundamental, mas de uma forma muito especial: aqui, menos é mais e o groove manda no pedaço. Os riffs de guitarra no reggae são responsáveis por criar aquela atmosfera única, imediatamente reconhecível, que faz qualquer um querer balançar a cabeça no ritmo do baixo. Preparado para viajar pelo universo dos riffs mais icônicos desse estilo? Então segura o compasso e vamos nessa!
Primeiro, é importante entender a diferença: enquanto o rock e o blues apostam em solos longos e distorções, o reggae é marcado pelo chamado “skank” – um toque percussivo, quase cortante, geralmente feito nas cordas agudas e tocado nos tempos fracos do compasso. Parece simples, mas é justamente esse detalhe que transforma a guitarra do reggae em uma verdadeira fábrica de riffs memoráveis.
Começando por Bob Marley, impossível não citar a importância do riff de “Stir It Up”. Aqui, a guitarra de Peter Tosh (nos primórdios dos Wailers) marca presença com um riff suave, sincopado e tão envolvente que já virou sinônimo de clima de praia e positividade. É aquele tipo de riff que você ouve e automaticamente já se sente numa ilha paradisíaca, ainda que esteja preso no trânsito.
Falando em Marley, “Is This Love” também merece destaque. O riff inicial, com seu toque delicadamente abafado, carrega toda a essência do reggae roots e é um verdadeiro convite para cantar junto. O segredo está no uso do delay e no timbre limpo, que criam uma atmosfera aconchegante e, ao mesmo tempo, irresistível. Dá vontade de tocar de novo só pra ouvir o efeito.
Se você acha que só Bob Marley detém o monopólio dos grandes riffs do reggae, é porque talvez nunca tenha parado para ouvir “Police and Thieves”, do Junior Murvin (com Lee “Scratch” Perry na produção). O riff principal dessa faixa é quase hipnótico, flutuando sobre a linha de baixo e com um groove que atravessou gerações, sendo regravado até pelo The Clash no auge do punk inglês. Isso é o poder dos riffs do reggae: atravessam fronteiras e estilos sem pedir licença.
Falando em melodias marcantes, Gregory Isaacs mostra que a elegância também é parte do reggae. “Night Nurse” é um clássico absoluto e seu riff de guitarra é impossível de ignorar – suave, espaçado e cheio de swing. Basta ouvir os acordes iniciais para reconhecer que se trata de um daqueles momentos raros em que simplicidade e genialidade se encontram. E quem nunca dedilhou esse riff tentando conquistar alguém?
Claro, não dá pra falar de riffs icônicos sem mencionar Toots & The Maytals. Em “54-46 Was My Number”, o riff principal praticamente comanda a música junto com o baixo e os vocais poderosos de Toots Hibbert. Aqui, a guitarra serve de ponte entre o ska e o reggae, criando uma energia contagiante que é garantia de pista lotada em qualquer festa.
Agora, para quem gosta de um reggae mais moderno, “King Without a Crown” do Matisyahu traz a tradição dos riffs jamaicanos com uma pegada judaica contemporânea. O riff mistura técnicas do reggae clássico com efeitos modernos, mostrando que o estilo continua evoluindo e conquistando novos públicos ao redor do mundo. E cá entre nós: não tem como não se empolgar com aquela introdução.
Vale lembrar também de “Bad Boys”, do Inner Circle, que além de ser trilha sonora oficial de polícia nos anos 1990, apresenta um dos riffs mais reconhecíveis do reggae pop. O segredo está no uso de acordes abertos e uma levada marcada, que faz qualquer um cantar junto – mesmo quem só lembra do refrão por causa do seriado “COPS”.
O reggae é um daqueles estilos onde a guitarra não precisa gritar para ser notada. O charme está na criatividade dos riffs, no uso dos silêncios e na sinergia com o baixo e a bateria. Cada nota parece escolhida a dedo para encaixar perfeitamente no groove, como se a guitarra estivesse conversando com todos os outros instrumentos. Não é à toa que muitos guitarristas de outros estilos acabam se rendendo ao desafio de tocar um reggae bem-feito – afinal, fazer pouco, mas fazer direito, é para poucos.
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