Quando falamos do surgimento do rock, todo mundo parece ter uma história para contar – algumas cheias de guitarras quebradas, outras com pactos misteriosos em cruzamentos e até lendas urbanas envolvendo rádios piratas e jaquetas de couro. Mas será mesmo que o rock nasceu assim, de um trovão no céu em pleno sábado à noite? Chegou a hora de separar mitos e verdades sobre a origem desse gênero musical que continua balançando gerações até 2025. Pega a jaqueta, afina a guitarra imaginária e vamos nessa viagem pelo tempo (sem a máquina do DeLorean, infelizmente).
O mito mais clássico – talvez tão antigo quanto o próprio rock – é o de que Elvis Presley foi o “inventor” do gênero. Embora o Rei do Rock tenha revolucionado a música e levado o estilo para o mainstream, o rock já estava lascando solos muito antes de Elvis balançar o quadril. A real é que o rock and roll nasceu de uma mistura explosiva de rhythm and blues, country, gospel e até jazz, tudo isso fervendo nos Estados Unidos dos anos 1940 e 1950. Artistas pioneiros como Chuck Berry, Little Richard e Sister Rosetta Tharpe já faziam barulho e batiam palmas antes de Elvis lançar seu famoso “That’s All Right” em 1954.
Outra crença que persiste como um solo interminável é que o rock foi uma “invenção branca” americana. Calma lá! O rock and roll, assim como tantos outros estilos musicais, tem raízes profundas na cultura afro-americana. O próprio termo “rock and roll” era uma gíria usada na comunidade negra para descrever música dançante muito antes de virar gênero. Artistas negros, como o lendário Chuck Berry (que, convenhamos, tocava guitarra até com os dentes se deixassem), Bo Diddley, Fats Domino e, claro, a deusa das seis cordas Sister Rosetta Tharpe, foram essenciais para moldar o som e a atitude do rock. Sem essas figuras pioneiras, o rock talvez nem existisse – ou seria algo completamente diferente.
E como esquecer a história do “acordo com o diabo”? Segundo a lenda, Robert Johnson, guitarrista de blues do Mississippi, teria vendido a alma para tocar como ninguém. A história é ótima para assombrar festas e justificar solos épicos, mas, na verdade, Johnson era apenas um músico extremamente talentoso, influenciado pela cultura do Delta do Mississippi. Apesar de sua importância para o blues e influência sobre o rock, ele não assinou contrato com ninguém além de gravadoras.
Muitos acreditam que o rock só ganhou força graças à rebeldia adolescente dos anos 1950 e 1960. Embora a juventude tenha realmente adotado o gênero como trilha sonora de sua rebeldia, o rock sempre foi sobre mais do que apenas “desafiar os pais”. O estilo musical abriu espaço para discussões sociais, raciais e até políticas, servindo de pano de fundo para movimentos de mudança em todo o mundo. O próprio festival de Woodstock, em 1969, foi muito mais do que uma festa de lama e cabelos compridos: foi símbolo de uma geração que queria paz, amor e… guitarras distorcidas, claro.
Outro mito comum é o de que o rock surgiu “do nada”. Na verdade, o processo foi tudo, menos instantâneo. O gênero foi sendo cozinhado lentamente, absorvendo influências de vários estilos. Guitarras elétricas começaram a aparecer nos anos 1930, mas só nas décadas seguintes, com a popularização do rádio e dos discos de vinil, é que o rock explodiu e se espalhou pelo mundo. Ou seja, não houve uma noite mágica em que alguém gritou “Eureka!” e inventou o rock – foi preciso muita jam session improvisada e experimentação no estúdio.
E para os fãs de teorias da conspiração, não, o rock não foi uma criação secreta da indústria fonográfica para manipular mentes juvenis (apesar de algumas letras realmente fazerem a cabeça de muita gente). O surgimento do rock foi resultado de uma série de fatores sociais, culturais e tecnológicos, tudo misturado e amplificado por músicos que queriam inovar e, claro, se divertir muito no processo.
No fim das contas, o nascimento do rock foi uma verdadeira jam session da história: cheio de improvisos, influências diversas e muita energia. Lembre-se: cada mito que surge é uma tentativa de explicar o inexplicável charme desse gênero que não envelhece nunca – apenas troca de jaqueta.
Agora que você já está munido de boas histórias reais (e pode conferir quem realmente afinou a primeira guitarra do rock), aproveite para curtir seus sons favoritos no Soundz (https://soundz.com.br), a plataforma de streaming de música grátis onde você pode escutar músicas, criar playlists e mergulhar em uma revista digital cheia de novidades sobre música e muito mais. Rock on!
































