Quando o assunto é samba, a primeira imagem que vem à cabeça pode ser de grandes intérpretes, vozes marcantes e letras inesquecíveis. Mas quem sustenta o ritmo, a alma e a energia contagiante desse gênero brasileiro são os instrumentistas. Eles são os verdadeiros arquitetos do swing, mestres das cordas, peles e sopros que transformam cada melodia em uma experiência sensorial completa. E não pense que tocar samba é só “fazer tum tum pá”: a arte desses músicos é fruto de muita criatividade, técnica apurada e doses generosas de malemolência – aquele gingado que só brasileiro tem.
Começando pelo coração do samba: o cavaquinho. Entre os nomes lendários, Waldir Azevedo é uma referência quase obrigatória. Considerado o “rei do cavaquinho”, Azevedo revolucionou o instrumento no século XX, dando solos e protagonismo a um instrumento que até então era considerado apenas de base. Suas composições, como “Brasileirinho”, são verdadeiros hinos – e um pesadelo para iniciantes, devido à rapidez e precisão necessárias para executá-las. Nos dias de hoje, músicos como Henrique Cazes mantêm viva essa tradição, explorando os limites do cavaquinho com arranjos sofisticados e participação em rodas de samba pelo Brasil e pelo mundo.
Nas cordas do violão de sete cordas, o destaque vai para Dino 7 Cordas. Sua habilidade de improvisar baixos, criar contracantos e preencher espaços no arranjo mudou para sempre o papel do violão no samba. Dino era presença obrigatória nas gravações de monstros do gênero, como Cartola, Paulinho da Viola e Beth Carvalho. Sua técnica foi passada adiante e hoje vemos artistas como Yamandu Costa transitando entre o choro, o samba e outros gêneros, sempre reverenciando a escola dos grandes mestres.
Falando em ritmo, o pandeiro é quase um passaporte obrigatório ao mundo do samba. Jorginho do Pandeiro é uma lenda viva, conhecido por sua capacidade de criar efeitos inusitados, como repiques, abafados e deslocamentos rítmicos que desafiam até os mais atentos. Ele integrou o conjunto Época de Ouro e influenciou gerações de percussionistas não só no Brasil, mas também internacionalmente. Em rodas contemporâneas, nomes como Tulio Araújo trazem novas técnicas, misturando elementos digitais ao pandeiro, elevando o instrumento a novas possibilidades sonoras.
A cuíca, com seu som inconfundível que lembra até mesmo uma risada, é outro símbolo do samba. Mestre Marçal foi pioneiro em transformar a cuíca de instrumento de apoio para peça central em muitas gravações. Seu trabalho na bateria da Mangueira, uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, é referência de precisão, criatividade e inovação. Na nova geração, músicos como Sergio Krakowski unem tradição e experimentação, tocando cuíca em festivais internacionais e explorando sua versatilidade em gêneros variados.
No terreno metálico do surdo, Wilson das Neves foi mais do que um simples percussionista. Além de acompanhar nomes como Elis Regina e Chico Buarque, criou um estilo de marcação que virou padrão em escolas de samba e grupos de pagode. Seu swing no surdo era tão característico que muitos dizem que dava para reconhecê-lo só pelo som do instrumento – quase como uma assinatura musical.
Não podemos esquecer do repique, agogô, tantã e outros instrumentos que, mesmo com menos visibilidade, são essenciais para o todo. Cada instrumentista tem sua forma única de “sentir” o samba, seja nas rodas informais, nos palcos internacionais ou nos desfiles das grandes escolas do carnaval carioca. Músicos como Ubirany, inventor da batida de tantã do grupo Fundo de Quintal, revolucionaram a base rítmica do samba, influenciando uma geração inteira de pagodeiros e sambistas.
O segredo do samba está justamente nessa mistura de talentos, cada um trazendo sua assinatura, seu improviso, suas manhas e manias. O samba não é só um ritmo musical; é uma reunião de almas, de histórias e de muita criatividade. E por trás de cada grande nome no microfone, há sempre um exército de instrumentistas que fazem a mágica acontecer – com muito suor, risadas e, claro, aquela dose saudável de improviso que só quem é do samba entende.
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