Se você acha que o sertanejo nasceu pronto, de chapéu e bota, só esperando o modão tocar no rádio, pode desacelerar o cavalo! O ritmo mais popular do Brasil é resultado de uma mistura tão rica de influências que até o mais entendido dos violeiros se surpreende. Ao longo das décadas, o sertanejo foi absorvendo elementos de estilos musicais nacionais e internacionais, tornando-se versátil e irresistível para todas as gerações. Bora descobrir quem são os pais, mães, primos e tios desse fenômeno musical?
Antes de colocarmos o violão nas costas, precisamos voltar ao início do século XX, quando o sertanejo ainda era conhecido como “música caipira”. O nome pode soar simples, mas essa vertente foi fortemente influenciada pelo folclore brasileiro, em especial pelas modas de viola, catiras, cururus e lundus. As letras falavam de vida simples, natureza e amores (não correspondidos, claro!), tudo isso narrado por violeiros que faziam da improvisação seu cartão de visita.
Com o tempo, a música caipira começou a dialogar com outros ritmos. O baião, por exemplo, foi um dos grandes influenciadores do sertanejo. Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, ajudou a popularizar elementos nordestinos, como a sanfona e a zabumba, que logo se incorporaram ao sertanejo, criando um caldo musical irresistível. O forró também marcou presença, deixando o sertanejo mais dançante e, por que não, mais romântico.
Nos anos 1970 e 1980, as influências internacionais começaram a bater à porta da roça. O country americano, com seus cowboys, chapéus e botas, trouxe guitarras elétricas, banjos e até letras mais urbanas, além de inspirar duplas a buscarem um visual mais alinhado com Nashville do que com o interior de Goiás. Não à toa, artistas como Chitãozinho & Xororó e Zezé Di Camargo & Luciano abraçaram o country, ajudando a criar o chamado sertanejo moderno. O rock também deixou sua marca, principalmente no sertanejo universitário dos anos 2000, que misturou batidas eletrônicas, baixo marcado e refrões pegajosos dignos de estádio lotado.
E sabe aquela sofrência que faz a gente se acabar de dançar e chorar ao mesmo tempo? Pode agradecer ao samba-canção e à música romântica. Esses estilos emprestaram ao sertanejo suas letras apaixonadas, melodias emotivas e, claro, refrões que grudam igual chiclete. O pagode, acredite se quiser, também deu seus pitacos, principalmente nas harmonias e arranjos mais atuais.
Não dá para ignorar a influência do pop e do funk, que nos últimos anos invadiram o sertanejo universitário. Parcerias entre sertanejos e artistas desses gêneros ajudaram a criar hits que dominam as playlists do Brasil e do mundo. O resultado dessa mistura toda? Um sertanejo plural, democrático e, principalmente, sempre pronto para surpreender.
Portanto, da moda de viola ao pop, passando pelo baião, country, forró, samba-canção, rock e funk, o sertanejo é uma verdadeira salada musical – e, convenhamos, das mais saborosas. Então, da próxima vez que ouvir aquele refrão chiclete ou aquela batida diferente, lembre-se: o sertanejo é toda essa mistura e mais um pouco. E, se você quer mergulhar nesse universo musical, aproveite para conhecer o Soundz (https://soundz.com.br), plataforma de streaming de música grátis, onde você pode escutar músicas, criar playlists e ainda se informar com uma revista digital completíssima sobre os mais diversos assuntos. Bora dar o play nessa viagem?
































