Se existe um hit chiclete que não sai da sua cabeça, talvez ele nem tenha sido tão original assim quanto parece. A indústria musical é uma verdadeira montanha-russa de talento, criatividade e, claro, de polêmicas dignas de novela das nove — e entre os capítulos mais controversos, poucos são tão suculentos quanto os escândalos de plágio. De Beatles a Beyoncé, poucos escaparam de acusações de copiar sucessos alheios. A verdade é que, na hora de compor, a linha entre inspiração e “copiou, mas foi sem querer querendo” pode ser mais tênue do que o solo de guitarra do Slash.
Vamos começar pelo básico: o que é plágio, afinal de contas? Plágio musical acontece quando um artista copia, consciente ou inconscientemente, trechos substanciais de melodias, letras ou arranjos de outra música. Às vezes é só aquele refrão irresistível, outras vezes uma sequência de acordes (que, vamos combinar, com apenas 12 notas na música ocidental, fica difícil inovar sempre). Só que tem caso que nem Sherlock Holmes precisaria investigar muito…
Um dos escândalos mais famosos rolou em 1971, quando George Harrison, ex-Beatle, foi processado por plágio. A música “My Sweet Lord” teria, segundo o tribunal, grandes semelhanças com “He’s So Fine”, hit das Chiffons de 1963. Harrison alegou plágio inconsciente, mas acabou condenado a pagar uma bela quantia pelos direitos. A decisão marcou época, mostrando que nem os deuses do rock estão acima da lei (e nem do ouvido apurado dos advogados).
Seguindo para os anos 90, quem lembra do hit “Ice Ice Baby”, do Vanilla Ice? O refrão grudento conquistou o mundo — até a turma do Queen e David Bowie perceberem que o baixo de “Under Pressure” estava lá, quase igual, só que com um toque de cara de pau. Após negociações, os créditos foram finalmente atualizados e ninguém ficou sem royalties (mas o Vanilla Ice perdeu alguns pontos na credibilidade musical).
Nos últimos anos, a discussão só aumentou. Em 2015, a família de Marvin Gaye processou Robin Thicke e Pharrell Williams, alegando que o sucesso “Blurred Lines” era uma cópia de “Got to Give It Up”. O tribunal concordou, e a dupla precisou desembolsar cerca de US$ 7,4 milhões. O caso trouxe à tona um debate importante: até onde vai o limite da influência musical? Afinal, todo artista é, em algum grau, um Frankenstein de referências e inspirações.
E não vamos esquecer o caso explosivo de “Shape of You”, de Ed Sheeran. Em 2022, Sheeran foi acusado de plágio pela música “Oh Why”, da dupla Sami Chokri e Ross O’Donoghue. Apesar do barulho, o tribunal britânico decidiu a favor de Sheeran, ressaltando que elementos musicais semelhantes não significam plágio necessariamente. Ponto para o ruivo, mas a discussão continua em aberto.
Até as divas do pop entram na dança! Em 2013, Katy Perry foi acusada de plagiar “Joyful Noise”, de Flame, em seu hit “Dark Horse”. Inicialmente, o tribunal condenou Katy, mas em 2020 a decisão foi revertida, destacando que certos padrões musicais são comuns demais para serem protegidos. Ou seja: não dá para patentear todos os “tum-tum-tum” do pop.
Na era da internet, os casos só aumentaram. Com as redes sociais e plataformas de streaming, os fãs têm se tornado verdadeiros Sherlocks digitais, caçando semelhanças e levando casos para a opinião pública — às vezes até antes de chegarem aos tribunais. O resultado? Muita treta, memes e, claro, debates acalorados sobre criatividade, direitos autorais e o que realmente constitui plágio.
No fim das contas, fica a lição: criatividade é fundamental, mas originalidade total é quase tão rara quanto um festival sem fila no banheiro químico. Com tantos acordes, samples e inspirações rolando soltas, o melhor mesmo é dar crédito a quem merece — seja nos créditos do disco ou naquele elogio maroto no Twitter.
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