Você já parou para pensar que, por trás de toda aquela emoção que sentimos ao ouvir as canções mais famosas da Música Popular Brasileira, existe sempre uma boa história – às vezes tão surpreendente quanto a própria melodia? Os bastidores da MPB são cheios de encontros inesperados, inspirações inusitadas e até mesmo polêmicas capazes de criar clássicos eternos. Se o palco mostra o brilho, é nos bastidores que a mágica realmente acontece!
Comecemos com “Águas de Março”, hino emblemático de Tom Jobim. Muita gente não sabe, mas a letra dessa música foi escrita numa noite chuvosa de março em 1972, enquanto Tom enfrentava infiltrações em sua casa de campo no Rio de Janeiro. A cada goteira, surgia uma nova frase, até que a canção virou quase um diário musical de um dia de chuva. Aliás, parte da genialidade da música está em seu fluxo contínuo, quase hipnótico, com frases aparentemente desconexas que, juntas, desenham o ciclo da vida. Não é à toa que “Águas de Março” foi eleita em 2001 como a melhor música brasileira de todos os tempos pela Academia Brasileira de Letras. E, só para apimentar: a versão em inglês também foi um sucesso, levando Tom Jobim a ser reconhecido internacionalmente por seu trabalho.
Falando em inspiração, quem nunca se emocionou com “Cálice”, de Chico Buarque e Gilberto Gil? Escrita nos anos de chumbo da ditadura militar, a canção nasceu quase por acaso, durante um jantar na casa de Chico, quando Gil engasgou com um pouco de vinho e soltou o trocadilho: “Pai, afasta de mim esse cálice”. A partir daí, nasceu um dos mais potentes protestos da nossa história musical – com o trocadilho “cale-se” perfeitamente encaixado para driblar a censura. Aliás, a canção foi censurada diversas vezes antes de finalmente ser lançada em 1978, tornando-se símbolo de resistência e criatividade diante da repressão.
Outro caso curioso é o de “Aquarela do Brasil”, composta por Ary Barroso em 1939. Conta-se que Ary estava preso em casa numa noite chuvosa (parece que a água tem mesmo vocação para musa inspiradora dos músicos brasileiros!), sem poder sair para jogar seu habitual futebol de salão com os amigos. Ele compôs “Aquarela do Brasil” em poucas horas, criando um samba-exaltação que mudou o status da música brasileira no exterior. A música foi parar até em produções da Disney, ajudando a projetar o Brasil mundo afora.
A MPB também é feita de encontros históricos, como o que culminou na criação de “Travessia”, de Milton Nascimento e Fernando Brant. Os dois eram grandes amigos e, em 1967, resolveram compor algo diferente para o Festival Internacional da Canção. A lenda diz que a letra nasceu de um bate-papo despretensioso sobre as mudanças da vida e os caminhos incertos do coração. O resultado? Uma das músicas mais gravadas da história da MPB, lançando Milton Nascimento ao estrelato e mostrando ao mundo o poder dos festivais de música no Brasil.
E que tal falar de “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira? Composta em 1947, a canção é quase um hino dos retirantes nordestinos. O curioso é que a ideia da letra nasceu de uma conversa sobre os sinais de chuva no sertão. A chegada da asa-branca, uma espécie de pomba, simboliza esperança de tempos melhores. Gonzaga e Teixeira captaram a essência do sofrimento nordestino e a transformaram em poesia. Em 1947, a música foi lançada e ganhou o Brasil – e o mundo – sendo regravada por nomes como Caetano Veloso e Gilberto Gil.
Claro, não poderíamos deixar de mencionar “Detalhes”, aquela música de Roberto Carlos que faz até o mais durão se emocionar. Acredita-se que o Rei escreveu a canção durante uma madrugada solitária, logo após o fim de um romance. Ele próprio já revelou em entrevistas que a música é um amálgama de várias histórias de amor que viveu, tornando a letra universal e atemporal. Detalhe: até hoje, “Detalhes” é um dos maiores sucessos de Roberto, com milhões de execuções nas rádios e plataformas digitais.
Essas histórias mostram que, por trás de cada sucesso da MPB, há lágrimas, risadas, resistência, encontros e desencontros. Quem diria que a chuva, um gole de vinho ou uma madrugada solitária renderiam músicas que atravessam gerações? Então, na próxima vez que ouvir aquele clássico que faz seu coração bater mais forte, lembre-se: talvez, nos bastidores, tudo tenha começado com um simples “E se…?”
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