A Música Popular Brasileira é um verdadeiro caldeirão cultural, fervilhando de criatividade, ritmos e, claro, parcerias inesquecíveis. Se tem algo que os nossos músicos sabem fazer como ninguém é juntar talentos para criar faíscas sonoras que ficam marcadas na história. Colaborações são quase uma instituição na MPB – desde duetos antológicos até participações especiais que viraram clássicos instantâneos. E se você acha que “featuring” é coisa só de pop internacional, prepare-se para embarcar nessa lista cheia de mestres da arte da colaboração.
Um dos maiores campeões de parcerias é Gilberto Gil. O baiano universal já declarou que adora trocar figurinhas e palcos – e não é à toa. Ele já se uniu a Gal Costa, Caetano Veloso, Jorge Ben Jor, Milton Nascimento, Djavan, Maria Bethânia, Chico Buarque e até com a nova geração, como Anitta e Emicida. O disco “Doces Bárbaros”, lançado em 1976 ao lado de Caetano, Gal e Bethânia, é praticamente um manual de como misturar vozes e talentos sem perder a identidade.
A propósito, Caetano Veloso é outro mestre das parcerias. Além dos Doces Bárbaros, Caetano já gravou com Novos Baianos, Maria Gadú, Vanessa da Mata, Tribalistas, Ney Matogrosso, e até com estrangeiros, como David Byrne e Ryuichi Sakamoto. No álbum “Noites do Norte Ao Vivo”, por exemplo, ele convida artistas de diferentes gerações para dividir o palco em um verdadeiro intercâmbio musical.
Falando em Milton Nascimento, impossível não lembrar da sua habilidade de reunir vozes e corações. O Clube da Esquina, movimento criado por ele, Lô Borges e Beto Guedes, foi um verdadeiro coletivo de mentes brilhantes. Milton também colaborou com Elis Regina, Simone, Sarah Vaughan, Wayne Shorter e Mercedes Sosa, tornando-se um dos brasileiros mais internacionais quando o assunto é parcerias.
E por falar na eterna Pimentinha, Elis Regina merece destaque. Conhecida pelo seu perfeccionismo, ela não se privava de somar forças em duetos emocionantes. Foram muitos: Tom Jobim (em clássicos como “Águas de Março”), Milton Nascimento (“Cais”, “Canção do Sal”), Ivan Lins, Fagner, Zimbo Trio, Hermeto Pascoal… Elis era aquele tipo de artista que brilhava sozinha, mas, quando dividia o palco, o resultado era puro ouro.
Gil, Caetano, Milton e Elis podem ser os medalhões, mas a lista de colaboradores de peso não para por aí. Chico Buarque, por exemplo, é dono de uma das carreiras solo mais sólidas da música brasileira, mas também adora uma parceria. Gravou com Gal Costa, Bethânia, Tom Jobim, Edu Lobo, Zizi Possi, Simone, Fafá de Belém, Nana Caymmi, entre tantos outros. E não vamos esquecer dos encontros históricos, como com Tom Jobim e Vinicius de Moraes.
No quesito quantidade, Djavan aparece sempre no topo. O alagoano já dividiu vocais com Al Jarreau, Stevie Wonder, Caetano, Gil, Marisa Monte, Ana Carolina, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Hermeto Pascoal e muitos mais. Seu álbum “Milagreiro” está recheado de participações especiais e a lista de duetos só cresce com o passar dos anos.
Falando em Marisa Monte, ela é rainha das colaborações transgeracionais. Além de ser parte dos Tribalistas (ao lado de Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown), ela já gravou com Nando Reis, Jorge Drexler, Julieta Venegas, Seu Jorge, Rodrigo Amarante, e claro, com os próprios Tribalistas em hits que grudaram para sempre na memória coletiva.
Entre os nomes da nova geração, Emicida merece destaque absoluto. Com mais de 200 parcerias ao longo da carreira, ele já cantou e produziu ao lado de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Ivete Sangalo, Vanessa da Mata, Liniker, Pabllo Vittar, Majur, Drik Barbosa, entre muitos outros. O álbum “AmarElo” virou referência de como unir vozes potentes para discutir temas importantes e criar músicas que ficam.
Ainda vale lembrar dos gigantes que, mesmo já tendo partido, deixaram exemplos de colaboração. Tom Jobim, por exemplo, foi mestre em convidar amigos para gravar suas canções: Vinicius de Moraes, Elis, Chico Buarque, Miúcha, Edu Lobo, Frank Sinatra, Stan Getz – a ponte entre Brasil e mundo nunca foi tão musical. E Vinicius de Moraes, poeta maior, fez da parceria um estilo de vida – junto com Tom Jobim, Baden Powell, Toquinho, Chico, Nara Leão, e tantos outros, criou um repertório eterno.
E claro, não dá para fechar a lista sem citar Carlinhos Brown, talvez o artista mais hiperativo da MPB quando o assunto é colaboração. Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Timbalada, Tribalistas, Caetano, Ivete Sangalo, CeeLo Green, Shakira, e até nomes do rock e pop nacional – Brown está sempre pronto para misturar sons, ritmos e culturas.
Em resumo, se a MPB é tão rica, diversa e apaixonante, muito se deve ao espírito colaborativo desses artistas que entenderam que música boa, quando feita junto, fica ainda melhor. E você, já criou sua playlist só de parcerias inesquecíveis? Não perca tempo: acesse agora o Soundz (https://soundz.com.br) – a plataforma de streaming de música grátis para você ouvir tudo, criar playlists incríveis e ainda se informar na revista digital cheia de novidades e variedades. Porque música boa é pra compartilhar, não é?
































