O poder da poesia nas músicas da MPB

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Se existe um segredo por trás do encanto da Música Popular Brasileira, com certeza ele está escondido entre as palavras. Sim, estamos falando do poder absoluto da poesia nas músicas da MPB! Afinal, não é exagero dizer que o Brasil é um verdadeiro berço de poetas disfarçados de cantores e compositores – ou será o contrário? A verdade é que, quando o assunto é transformar sentimentos em versos e versos em canção, poucos estilos musicais no mundo chegam perto da criatividade, sensibilidade e da profundidade dos mestres da MPB.

Imagine só: Chico Buarque declamando dores e amores como quem pinta um quadro impressionista só com palavras. Vinicius de Moraes misturando romance, saudade e uma pitada de malandragem carioca, provando que poesia não precisa ser sisuda. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, Maria Bethânia… a lista é tão grande quanto a capacidade de nos surpreender com letras que parecem ter saído diretamente do coração para os ouvidos – e, claro, para as rodas de violão Brasil afora.

Na década de 1960, época dos festivais e do turbilhão criativo da Tropicália, a poesia ganhou força como ferramenta de expressão diante da censura e dos desafios políticos. Palavras cuidadosamente escolhidas e metáforas afiadas tornaram-se armas poderosas, capazes de burlar proibições e, ainda assim, tocar fundo o público. Quem nunca ficou arrepiado com “Apesar de você” ou tentou decifrar os enigmas de “Alegria, Alegria”? O segredo estava nas mensagens ocultas, nos duplos sentidos, nos versos que permitiam mil interpretações – e que até hoje levantam debates acalorados nos grupos de WhatsApp dos mais saudosistas.

Mas não pense que poesia na MPB vive só de nostalgia! Novos nomes continuam a provar que o gênero está mais vivo do que nunca. Liniker, Ana Frango Elétrico, Rubel, Tulipa Ruiz e tantos outros artistas têm mostrado que brincar com as palavras, inventar metáforas e rimar sentimentos segue sendo a alma do negócio. E isso sem falar das colaborações entre poetas e músicos, como as inesquecíveis parcerias de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, que renderam clássicos do calibre de “Garota de Ipanema” – canção que atravessou oceanos e virou sinônimo da música brasileira no exterior.

Os dados mostram: segundo a União Brasileira de Compositores (UBC), mais de 70% dos artistas que se destacaram no mercado brasileiro nos últimos dez anos têm formação ou grande admiração pela literatura e poesia. Não à toa, letras de músicas brasileiras são estudadas em escolas e universidades, lado a lado com sonetos de Camões e versos de Drummond. O escritor e jornalista Ruy Castro já definiu a MPB como “um dos maiores orgulhos literários do Brasil”. Exagero? De jeito nenhum.

Além de emocionar, a poesia da MPB conecta pessoas e gera identificação coletiva. Quem nunca ouviu “O mundo é um moinho”, do Cartola, e sentiu uma pontada no peito, mesmo sem saber exatamente de onde veio? Ou cantou “Tocando em frente”, de Almir Sater e Renato Teixeira, como se fosse um mantra para dias difíceis? É a força do texto, das imagens poéticas, que transforma cada música em uma experiência quase terapêutica.

A verdade é que, na MPB, palavra e melodia caminham de mãos dadas, formando um casamento perfeito. Não é só sobre o que se diz, mas sobre como se diz. Por trás de uma melodia envolvente, muitas vezes, esconde-se um universo de interpretações, sentimentos e reflexões. Se poesia é arte de traduzir o indizível, a MPB é a trilha sonora dessa tradução – feita com sotaque brasileiro, tempero de bossa e, claro, a alegria de viver.

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