O impacto da pandemia no mundo sertanejo

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Se alguém dissesse, lá nos idos de 2019, que o mundo sertanejo – com toda sua energia de festas, shows lotados e hits chicletão – iria dar uma bela desacelerada, provavelmente receberia uma risada sonora ou até uma palhinha improvisada. Mas a pandemia da Covid-19 em 2020 virou a mesa, mudou o jogo e fez o universo sertanejo repensar cada acorde. Foram tempos em que a sanfona ficou silenciosa, o chapéu de cowboy foi pendurado e a multidão trocou a arena por lives no sofá de casa. E, olha, não foi pouca coisa: o impacto foi profundo, mexendo com artistas, público, produção e até com a forma como consumimos música sertaneja até hoje.

Quando o coronavírus chegou e as recomendações de isolamento social se tornaram regra, eventos musicais foram os primeiros a sentir o baque – e o sertanejo, acostumado com os maiores espetáculos do país, foi diretamente atingido. Segundo a Abrape (Associação Brasileira dos Promotores de Eventos), só em 2020, o setor de eventos perdeu cerca de R$ 90 bilhões. Só para ter uma ideia, artistas como Jorge & Mateus, Gusttavo Lima, Marília Mendonça e tantos outros, que faziam mais de 20 shows por mês, subitamente viram suas agendas esvaziadas. O impacto no bolso foi sentido não só por eles, mas por um verdadeiro batalhão nos bastidores – músicos, técnicos, produtores, vendedores ambulantes, empresas de som, luz e transporte: todo mundo que gira em torno do sertanejo sofreu com a paralisação.

Mas, como diz aquela velha frase: “sertanejo não desiste nunca!”. E foi aí que surgiu um fenômeno que marcou 2020 e 2021: as lives sertanejas. Se não dava para lotar estádios, as estrelas do gênero decidiram invadir a internet. Gusttavo Lima abriu a porteira e logo a moda pegou, com transmissões ao vivo que batiam recordes mundiais de audiência no YouTube. Marília Mendonça, por exemplo, conquistou o título de live mais assistida do mundo na época, com mais de 3,3 milhões de espectadores simultâneos. As lives ajudaram a manter a conexão com os fãs, movimentaram doações significativas para quem precisava e ainda geraram renda via patrocínios e merchandising – mas, claro, nunca no mesmo ritmo dos shows presenciais.

E o que falar da criatividade? Se teve um combustível que não faltou foi inovação. Muitos artistas aproveitaram o isolamento para explorar novas sonoridades, parcerias inesperadas e lançamentos de álbuns em formatos virtuais. As redes sociais se transformaram em palco aberto: desafios musicais, bastidores do home studio, reencontro virtual de duplas… Era o mundo sertanejo fazendo de tudo para não perder o calor humano, mesmo a distância. E, diga-se de passagem, muita gente que nunca tinha usado plataformas digitais mergulhou de cabeça, levando o sertanejo para todo canto do Brasil (e até além fronteiras).

Mas nem tudo foram modas passageiras. A pandemia acelerou uma transformação que já vinha acontecendo: a digitalização do consumo de música. Plataformas de streaming, como Soundz, Spotify e Deezer, dispararam em número de acessos. O público sertanejo, tradicionalmente ligado ao rádio e aos shows, passou a criar playlists, acompanhar lançamentos semanais e descobrir artistas novos diretamente do celular. Não faltaram números para comprovar: só em 2021, o Spotify registrou crescimento de mais de 50% no consumo de sertanejo em sua plataforma no Brasil. A democratização do acesso à música sertaneja nunca foi tão forte.

Outro reflexo importante foi a sensibilidade das letras. Se antes o sertanejo universitário era dominado por temas de festas e farras, a pandemia trouxe letras mais intimistas, sobre saudade, solidão, esperança e superação. O público se identificou e tomou pra si esse novo tom, mostrando que o sertanejo é sentimento puro, seja no bar lotado ou em casa, à meia-luz.

Com a retomada dos eventos presenciais a partir de 2022, o mundo sertanejo voltou a celebrar a vida, mas nunca mais foi o mesmo. Os shows, agora, combinam tecnologia, transmissão digital, experiências híbridas e uma percepção maior de que o público está em todos os lugares – não só na fileira da frente. A saudade virou combustível e o aprendizado ficou: o sertanejo mostrou sua força, criatividade e flexibilidade diante da maior crise das últimas décadas.

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