Se tem um gênero musical que carrega o DNA da alegria brasileira, esse é o pagode. Não tem como ouvir um tantan batendo, um cavaquinho sambando e não sentir aquele calor no peito pedindo um sorriso – ou, pelo menos, um passinho tímido com o pé. Mas, se engana quem pensa que, por trás daquele refrão chiclete, só existe festa e romance. O pagode, desde o seu surgimento lá nos anos 1980, também é palco de debates, provocações e, claro, muitas letras polêmicas. Afinal, como bom retrato da vida do povo, ele fala de tudo: amor, traição, superação, e… crítica social, sim senhor!
Vamos combinar, quem nunca se pegou cantarolando “me apaixonei pela pessoa errada”, sem saber que, por trás da sofrência, também rolava uma discussão sobre relacionamentos tóxicos? Ou achou engraçado aquela música sobre o “deixa ela saber que você chorou”, sem perceber que era, na verdade, uma cutucada nas relações rasas e na cultura do orgulho? O pagode é assim: você entra pela leveza, mas, se prestar atenção, sai com um tapa de realidade.
E nem precisamos ir tão longe para encontrar versos que causaram borburinho. “Domingo”, clássico do Só Pra Contrariar lançado em 1997, foi além da sofrência amorosa e trouxe à tona a questão das famílias desestruturadas, algo que muitos fãs só perceberam anos depois, ao analisar a letra com mais calma. Um caso ainda mais emblemático é “Preciso Me Encontrar”, sucesso regravado por Zeca Pagodinho e outros grandes nomes, que fala da busca por identidade em meio às dificuldades da vida urbana, um tema fundamental na sociedade brasileira.
Mas as letras polêmicas do pagode não param por aí. Nos anos 2000, grupos como Exaltasamba e Revelação começaram a apostar em temas mais ousados, flertando com críticas sociais escancaradas. “Tá Vendo Aquela Lua”, por exemplo, não é só uma carta de amor; ela também dialoga com o desejo de mudança, esperança e resiliência, típicos de quem vive nos subúrbios das grandes cidades. Em “Cinderela”, o Fundo de Quintal ironiza os padrões de beleza e os julgamentos sociais, trazendo humor e reflexão ao mesmo tempo – a cara do brasileiro, diga-se de passagem.
Agora, se você pensa que pagode só entra em polêmica quando toca em temas sociais, engana-se. O gênero também já foi acusado de machismo por algumas de suas letras. Recentemente, entre 2010 e 2022, artistas do chamado pagode universitário como Ferrugem e Dilsinho começaram a rever posturas e letras, trazendo mais respeito e igualdade para as músicas – mostrando que o pagode também evolui e se adapta ao novo tempo, sem perder o gingado.
O mais interessante é como o público reage: muitas vezes, o debate começa no bar, vai para as redes sociais, e vira meme! Quem nunca viu uma discussão acalorada sobre a “culpa” nos relacionamentos do pagode ou sobre quem “deveria ter deixado para lá”? E, por trás do humor, essas letras acabam levantando pautas importantes sobre diversidade, respeito e, claro, o direito de ser feliz – mesmo que seja só no refrão.
O segredo do pagode está em equilibrar alegria, emoção e crítica, sempre com muito ritmo e carisma. Por isso, continue ouvindo, dançando e, principalmente, prestando atenção no que as letras têm a dizer. Tem muito mais do que samba no pé: tem reflexão, história e, claro, polêmica!
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