Música

História: quem foram os pioneiros do Rap Nacional?

Se você já se pegou balançando a cabeça no metrô ao som de um bom rap nacional ou se emocionou com letras que falam de realidade, resistência e superação, provavelmente já se perguntou: quem foi que começou tudo isso? Quem foram esses visionários que pegaram beats, rimaram sobre a vida nas periferias brasileiras e abriram alas para um dos gêneros mais influentes da nossa música? Vem comigo, que a trilha sonora é das boas e a história é de arrepiar.

O rap chegou ao Brasil no final dos anos 1970 e início dos 1980, dançando na esteira do hip hop americano. Mas engana-se quem pensa que aqui foi só copiar. O brasileiro colocou tempero, gíria, samba no pé e muita criatividade. Entre festas de rua, bailes black e rodas de break, o rap nacional foi se desenhando com identidade própria, até se tornar um movimento cultural potente.

Os verdadeiros pioneiros do rap nacional surgiram em São Paulo, mas logo o som se espalhou pelo Brasil. No embalo do batidão e das rimas cortantes, surgiu a clássica equipe Black Soul Brothers, que agitava bailes no bairro do Bixiga, e logo depois os lendários bailes do Chique Show e do Zimbabwe, onde DJs como Tony Hits e Grandmaster Ney apresentavam as novidades importadas dos EUA, misturando com grooves brazucas.

Mas quem batizou de verdade o rap brasileiro foram grupos icônicos como o O Credo, considerado um dos primeiros expoentes do gênero. Em 1986, surge um divisor de águas: o grupo Thaíde & DJ Hum. Thaíde, com sua voz marcante e letras que falavam com autenticidade, ao lado do DJ Hum, trouxe rimas que batiam forte sobre as dificuldades sociais, a vida nas quebradas e a esperança de dias melhores. Eles foram vanguarda, deram a cara a tapa e abriram portas para que muitos pudessem rimar seus próprios versos.

Outro nome lendário é o grupo Código 13, surgido em 1987. Com letras críticas e beats inovadores, mostraram que era possível fazer rap em português sem perder a essência do hip hop. Na mesma época, começa a despontar o mestre Gog, vindo de Brasília, que trouxe o rap para o Planalto Central com muita poesia e representatividade.

Mas ninguém pode falar de pioneirismo sem mencionar Os Metralhas, grupo formado em 1986, reconhecidos como um dos primeiros a gravar um disco de rap no país. Eles abriram caminho para a profissionalização do rap nacional, mostrando que era possível rimar, gravar, vender e viver da música.

E aí, claro, chega 1988 — o ano que mudaria para sempre a história do rap nacional com o lançamento do lendário disco Hip Hop Cultura de Rua. Essa coletânea reunia nomes como Thaíde & DJ Hum, MC Jack, Código 13 e Os Metralhas, marcando o primeiro registro fonográfico do rap no Brasil. Um verdadeiro “álbum da Copa” do hip hop! Esse disco é tão importante que até hoje colecionadores e fãs o disputam a tapa (no bom sentido, ok?).

Entre os grupos que ajudaram a consolidar o movimento nos anos seguintes, não dá para esquecer dos Racionais MC’s, que surgem no final dos anos 1980 e logo se tornam ícones do rap nacional. Seu álbum de estreia, Holocausto Urbano, lançado em 1990, levou o gênero a um novo patamar de visibilidade, influência e engajamento social. Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay são, até hoje, referência quando o assunto é rap brasileiro de verdade.

E não para por aí: nomes como DJ Alpiste, considerado o “padrinho” do rap gospel no Brasil, e Nelson Triunfo, verdadeiro precursor do breakdancing no país e figura central no movimento hip hop, também merecem lugar de destaque. Eles mostraram que o rap não é só música, mas atitude, dança, arte de rua e resistência.

De lá para cá, o rap nacional só cresceu. Hoje, artistas de vários estilos e vertentes fazem sucesso, mas nunca é demais lembrar que tudo começou com esses pioneiros, que pegaram o microfone sem medo, desafiaram o sistema, rimaram sobre desigualdade, racismo, esperança e empoderamento. Eles são responsáveis por abrir caminho para as vozes de Criolo, Emicida, Karol Conka, Projota, Rashid e tantos outros que hoje fazem a trilha sonora do Brasil.

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