Música

Funk Proibidão: Polêmica que Vira Tendência

Se você acha que o funk brasileiro já era polêmico por natureza, é porque ainda não deu play no “Funk Proibidão”. Este subgênero, que surgiu lá nas quebradas cariocas entre o final dos anos 1990 e início dos anos 2000, é tipo aquele parente que fala tudo na lata no almoço de família: sem filtro e sem medo de causar. Mas por trás da batida envolvente (e dos graves que balançam até a janela do vizinho), existe uma história que mistura criminalização, debates profundos sobre liberdade de expressão, questões sociais e, claro, muita tendência musical que, ironicamente, acaba conquistando até quem faz cara feia.

Antes de tudo, vamos entender o que é esse tal de “proibidão”. Ele nada mais é do que um subgênero do funk carioca cujas letras falam abertamente sobre a vida nas favelas, retratando desde festas ostentação, histórias de amor e traição, até temas mais cabeludos como violência, crime organizado e confronto com as autoridades. Justamente por abordar essas realidades sem papas na língua, o proibidão foi — e em muitos casos ainda é — alvo de repressão policial e censura judicial. Para você ter uma ideia, já houve episódios em que MCs foram presos por suposta apologia ao crime, como aconteceu com MC Smith em 2010 e MC Frank em 2011, além de outros artistas que chegaram a ser proibidos de apresentar determinadas músicas.

Mas a história não parou aí. O proibidão continuou a se reinventar, usando o poder das redes sociais e das plataformas digitais para driblar a censura e chegar a cada vez mais ouvidos — inclusive fora das favelas. Afinal, quem nunca ouviu um refrão chiclete de proibidão em alguma festa, mesmo que não saiba de onde veio? O impacto foi tanto que, mesmo em 2025, o estilo segue influenciando a cena musical brasileira e internacional. Artistas como MC Poze do Rodo, MC Cabelinho e MC Marks são exemplos de nomes que, mesmo transitando entre diferentes tipos de funk, carregam na bagagem a influência do proibidão. E não para por aí: produtores e DJs gringos já samplearam batidas brasileiras em hits que rodaram o mundo, provando que o ritmo “proibido” virou tendência global.

Claro que nem tudo são flores — ou glitter, no caso do baile. O debate sobre o proibidão também esbarra em questões sérias, como a linha tênue entre o retrato da realidade e a apologia ao crime. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a criminalização do funk não diminuiu a violência, mas abriu espaço para discussões sobre o quanto a arte deve ser livre para expressar experiências vividas por milhões de brasileiros. Em 2019, o Supremo Tribunal Federal chegou a debater a proibição do funk como um todo, mas a proposta foi arquivada, reconhecendo o papel cultural do gênero.

Mas, se tem uma coisa que o funk faz como ninguém, é criar tendência. Do shortinho neon ao passinho do menor, o proibidão e sua estética invadiram moda, memes, gírias e até o mainstream. Canções que antes só circulavam em bailes clandestinos hoje acumulam milhões de streams, figuram em trilhas de novelas e viram até trilha sonora de vídeos virais no TikTok e no Instagram. E não dá pra negar: o proibidão conquistou aquele status de “quero ouvir mais, mas não quero que minha mãe saiba”.

Se você quer entender o Brasil além das novelas das 9, coloque seus fones e mergulhe nesse universo sem preconceitos. Afinal, a polêmica do proibidão não é só sobre batidas e letras ousadas, mas sobre dar voz a quem quase nunca é ouvido. E, se precisar de uma playlist especial — seja ela proibida ou liberada pra geral — o Soundz (https://soundz.com.br) está aí pra ser sua rádio particular. Lá, além de ouvir músicas de todos os estilos grátis e criar suas próprias playlists, você ainda confere uma revista digital recheada de temas atuais, curiosidades, tendências e, claro, muita informação sobre o universo musical. No fim das contas, o proibidão só é proibido mesmo pra quem fecha os ouvidos.

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