Na vastidão sonora do Brasil, poucos estilos conseguem reunir tanta energia, tradição e paixão como o forró. E quando o assunto é forró, uma dúvida sacode os salões: Forró Pé-de-Serra ou Forró Eletrônico, qual é o melhor? Se você já se pegou dançando animado numa festa junina ou batucando na mesa ao som de um triângulo, sabe que a escolha vai muito além do gosto musical — é quase uma questão filosófica, digna de debates acalorados entre amigos. Prepare-se, porque vamos mergulhar nesse duelo ritmado e descobrir o que faz cada versão do forró conquistar corações de norte a sul do país.
Primeiro, o forró pé-de-serra, aquele que já nasce com cheiro de terra molhada e um quê de nostalgia no ar. Surgido lá pelos anos 1940, nas vozes e sanfonas de mestres como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Dominguinhos, o pé-de-serra é praticamente o DNA nordestino em forma de música. Sua formação clássica é quase um trio de super-heróis: sanfona, zabumba e triângulo. Cada instrumento tem seu papel, criando a base para xotes, baiões e arrasta-pés que atravessam gerações. E não pense que é música só para quem já passou dos 50: a juventude redescobriu o pé-de-serra, enchendo festivais como o Festival Nacional de Forró de Itaúnas, que desde 2001 reúne multidões apaixonadas pelo ritmo original.
Agora, troque a sanfona acústica por teclados sintetizados, aumente as batidas, e adicione guitarras e baixos elétricos. Pronto: você entrou no universo do forró eletrônico. Surgido a partir dos anos 1980 e ganhando força nas décadas seguintes, esse estilo elevou o forró a outro patamar de popularidade, ampliando seu alcance para além do Nordeste, dominando rádios, baladas e playlists do Brasil inteiro. Bandas como Mastruz com Leite, Aviões do Forró e Calcinha Preta modernizaram o gênero trazendo letras mais diversificadas, arranjos pulsantes e um show de luzes de deixar qualquer festival pop com inveja.
Mas aí vem a polêmica: qual é melhor? A resposta, claro, está no ouvido — e no pé — de quem dança. O forró pé-de-serra oferece uma experiência autêntica, carregada de história e tradição, com letras que retratam a vida no sertão, o amor sofrido e a esperança de dias melhores. É quase impossível ouvir Asa Branca sem sentir um apertinho no peito, daqueles de quem entende o poder da saudade. Já o forró eletrônico aposta na energia, na produção mais encorpada, com letras que falam de amor, festa e diversão. E se tem algo que ele faz bem é colocar multidões para dançar, seja em festas juninas urbanas ou micaretas de tirar o fôlego.
No quesito influência cultural, o pé-de-serra é praticamente patrimônio imaterial do Brasil, reconhecido em 2011 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ele carrega um legado que vai além da música, influenciando literatura, cinema e até a culinária nordestina. O forró eletrônico, por sua vez, foi responsável por democratizar o acesso ao ritmo, introduzindo-o a públicos jovens e urbanos, misturando influências do pop, sertanejo e até da música eletrônica internacional.
Curiosidade: sabia que segundo uma pesquisa do Datafolha de 2023, o forró é o segundo ritmo mais ouvido no país, perdendo apenas para o sertanejo? E mais, playlists de forró eletrônico dispararam em plataformas de streaming, alcançando mais de 1 bilhão de streams só em 2024. Mas adivinha quem lidera as festas juninas tradicionais? Sim, o bom e velho pé-de-serra, com seu charme inconfundível.
Se você está procurando aquela trilha sonora perfeita para um arrasta-pé raiz ou uma balada com pitada nordestina, a dica é experimentar os dois estilos. Deixe o preconceito na sala e permita-se curtir o melhor que cada vertente tem a oferecer. Afinal, como dizia Dominguinhos, “forró é bom demais, seja qual for o compasso”.
E aí, vai de tradição ou de modernidade? Enquanto decide, que tal ouvir os dois estilos e criar sua própria playlist gratuitamente no Soundz (https://soundz.com.br)? Além de streaming de música, Soundz é a revista digital para quem gosta de explorar o universo cultural sem limites. Escute, descubra, compartilhe — e prepare-se para dançar até o sol nascer!
