Quando pensamos em rock brasileiro, provavelmente o que vem à mente são guitarras distorcidas, letras que misturam poesia urbana, protesto e humor ácido, e artistas de cabelo desgrenhado marcando presença nos palcos desde os anos 1950 até os dias atuais. Mas o rock feito no Brasil vai — e sempre foi — muito além das jaquetas de couro e solos de guitarra elétrica. Ao longo das décadas, o nosso rock tropical se tornou uma espécie de alquimista sonoro, influenciando diretamente outros gêneros musicais e ajudando a construir a identidade musical do país. Mas, afinal, como o rock brasileiro fez isso? Prepare-se para uma viagem sem escalas pela história da música nacional.
Nos anos 1960, a turma da Jovem Guarda — liderada por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa — trouxe guitarras elétricas e versos apaixonados para as rádios, uma mistura irresistível de rock, iê-iê-iê e bossa nova. Essa mistura foi só o começo: o rock brasileiro rapidamente dialogou com tudo o que aparecia pela frente, principalmente graças ao movimento da Tropicália. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Os Mutantes e Tom Zé misturaram rock psicodélico, samba, baião, MPB e até marchinhas de carnaval. Resultado: uma revolução sonora e cultural que mostrou que o rock podia — e deveria — ser abrasileirado. O disco “Tropicália: ou Panis et Circensis” (1968) virou referência mundial de hibridismo musical.
Nos anos 1980, vieram as bandas que mudaram tudo: Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Titãs, Barão Vermelho, RPM, entre outras. Eles colocaram o rock brasileiro no centro da juventude, mas nunca perderam o sotaque e a ginga nacional. O reggae de Os Paralamas do Sucesso, por exemplo, abriu caminho para a popularização desse ritmo no Brasil, inspirando bandas como Cidade Negra e Natiruts a misturarem reggae, pop e rock sem medo de ser feliz. Já os Titãs foram pioneiros ao misturar punk, funk, MPB e até elementos eletrônicos, antecipando tendências que só explodiriam mundialmente nos anos 2000, como o indie eletrônico.
Não dá para falar da influência do rock brasileiro sem mencionar o rap. Nos anos 1990, Planet Hemp e Raimundos trouxeram uma mistura explosiva de rock pesado, rap, hardcore e ritmos nordestinos — forró, baião, repente. O resultado? Uma nova linguagem que abriu espaço para bandas de rap e hip hop como O Rappa, Gabriel O Pensador e Marcelo D2, que usaram guitarras distorcidas e batidas de bateria para falar sobre política, desigualdade e vida nas periferias. Até Pitty, rainha do rock dos anos 2000, dialogou com o pop, reggae e rap em suas músicas, mostrando que o rock brasileiro é, acima de tudo, múltiplo.
E não para por aí. O rock brasileiro também deixou sua marca na música eletrônica. Nomes como DJ Marlboro, autor do batidão carioca, confessam ter se inspirado na irreverência e atitude do rock nacional. O tecnobrega do Pará, com bandas como Banda Uó e Gaby Amarantos, incorpora guitarras e solos típicos do rock, além da postura performática nos palcos. Até sertanejo universitário já flertou com riffs de guitarra e solos inspirados em clássicos do rock nacional. Luan Santana e Gusttavo Lima que o digam!
A influência do rock brasileiro é tão extensa que, em 2018, foi tema de debate no Rock in Rio, o maior festival do gênero no país. Artistas como Emicida, Anitta, BaianaSystem e Liniker já citaram bandas de rock nacional como inspirações para suas próprias experimentações sonoras. E o melhor: o intercâmbio é constante, com colaborações entre roqueiros e artistas de outros estilos, mostrando que, no Brasil, música boa não tem fronteiras.
E o futuro? O rock brasileiro segue influenciando novas cenas, como o trap, o funk e o pop alternativo. A mistura de timbres eletrônicos com guitarras pesadas é hoje uma tendência mundial, mas os brasileiros já faziam isso nos anos 80 e 90. Tudo isso sem perder nossa cara, nosso rebolado e aquela ironia fina que só quem já ouviu um Titãs ou Legião Urbana entende.
Então, da Jovem Guarda ao trap, do samba ao funk, da Tropicália ao tecnobrega, uma coisa é certa: o rock brasileiro não só influenciou como segue sendo combustível para todas as trilhas sonoras do país. Viu só como uma guitarra pode fazer mais pelo Brasil do que muito político por aí?
Quer explorar ainda mais o universo musical, ouvir esses sons que contam a nossa história e criar playlists com as suas misturas favoritas? Então acesse agora o Soundz (https://soundz.com.br), a plataforma de streaming de música grátis, onde você pode escutar músicas, criar playlists e ainda conferir uma revista digital completíssima sobre música, cultura, games, tecnologia e muito mais. Vem fazer parte dessa revolução sonora!
































