Se existe um verbo que ganhou protagonismo nos últimos anos, é “cancelar”. E acredite: no universo musical, ninguém está imune ao temido tribunal das redes sociais. Cantores que pareciam intocáveis viram suas carreiras serem abaladas (ou, em alguns casos, completamente naufragadas) por críticas ferrenhas às suas letras – afinal, o poder das palavras nunca foi tão grande. Vamos dar um giro pelo hall da fama do cancelamento musical, entender as polêmicas reais, suas consequências e o que isso revela sobre a relação entre arte, sociedade e responsabilidade.
Um dos casos mais emblemáticos foi o do rapper Eminem. Desde o início dos anos 2000, suas letras ácidas – recheadas de violência, misoginia e temas controversos – foram alvo de boicotes, protestos e convites para “conversar com o RH da sociedade”. Em 2021, uma campanha no TikTok tentou cancelar o artista mais uma vez por versos da música Love The Way You Lie. O rapper, porém, sempre respondeu com ironia (e mais música polêmica), mas admitiu em entrevistas que passou a repensar alguns temas diante da pressão dos fãs e da mídia.
Outro nome que viu sua carreira estremecer foi Marilyn Manson. Suas letras e performances sempre foram provocativas, mas acusações de misoginia e violência nas composições vieram acompanhadas, em 2021, de denúncias graves de abuso, o que potencializou ainda mais o cancelamento. Plataformas como a MTV cortaram laços e, por algum tempo, suas músicas sumiram de playlists populares, mostrando que o limite entre a arte e o comportamento do artista pode ser tênue – e cobrado pelo público.
No pop nacional, MC Livinho se viu no centro de uma tempestade em 2017, quando sua música Cheia de Marra foi criticada por suposta apologia à cultura do estupro. Movimentos sociais e grupos feministas pressionaram para que shows fossem cancelados e rádios parassem de tocar seus hits. Livinho, assim como outros funkeiros, entrou em debates públicos sobre o papel da música na formação cultural e a necessidade de responsabilidade social ao compor e divulgar letras.
E quem não lembra de Anitta? A rainha do pop brasileiro já foi criticada por letras consideradas “vulgares” ou “desrespeitosas” por setores mais conservadores. Em 2016, com “Bang”, e depois com “Vai Malandra”, ela foi alvo de movimentos que tentaram “cancelar” sua carreira por supostamente incentivar comportamentos inadequados. A cantora, no entanto, sempre foi direta: defendeu o empoderamento feminino, abordou abertamente a liberdade sexual e usou as críticas para impulsionar ainda mais sua imagem. E, claro, lotar shows.
Kanye West, atualmente conhecido como Ye, é outro caso clássico de cancelamento. As letras do rapper sempre flertaram com temas polêmicos, mas foi a ligação entre suas opiniões pessoais e suas músicas que acendeu o sinal vermelho. Em 2022, Kanye perdeu contratos multimilionários após manifestações antissemitas e frases polêmicas em suas músicas, além de ser excluído de premiações e playlists globais.
O ponto em comum dessas histórias? As reações do público nunca foram tão imediatas e massivas. As redes sociais aceleraram a cobrança por responsabilidade e ética, enquanto os próprios artistas se veem forçados a rever seus limites entre criatividade e respeito social. O cancelamento, se por um lado pode ser visto como uma “punição coletiva”, por outro, também abre espaço para debates importantes sobre liberdade de expressão, cultura, contexto histórico e evolução dos valores sociais.
Em 2025, o desafio está lançado: até que ponto a letra de uma música pode ser contestada? O artista deve ser responsabilizado por interpretações controversas? O que é liberdade criativa e o que é discurso de ódio? Uma coisa é certa: no palco ou nas plataformas, o microfone agora também é do público – e não há botão de mute para quem viraliza.
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