Prepare o coração e aumente o volume porque hoje o papo é sobre mulheres que não só cantaram samba, mas transformaram o ritmo em uma verdadeira força cultural. Se você acha que samba é coisa só de partido alto e de roda de bar, essas cantoras provaram que também é lugar de rainhas, com vozes potentes, letras marcantes e personalidades que misturam sofisticação e malandragem na medida certa. Segura esse pandeiro, porque vamos conhecer as cantoras de samba que fizeram história e continuam inspirando gerações – afinal, samba é coisa de mulher, sim, senhor!
Para começar, é impossível falar de samba sem reverenciar a eterna Dona Ivone Lara, a Primeira Dama do Samba. Enfermagem era seu ofício, mas era na música que ela brilhava com aquele sorriso largo e o dom de compor melodias inesquecíveis. Dona Ivone foi a primeira mulher a assinar sambas-enredo em uma escola de samba do Rio de Janeiro, quebrando um tabu gigantesco em um universo antes dominado por homens. “Sonho Meu”, um clássico gravado por Maria Bethânia e Gal Costa, é só a pontinha do iceberg de seu talento. Foram mais de 300 músicas compostas, e ela foi ainda madrinha de muita gente boa que surgiu depois.
Falando em Maria Bethânia, ela pode não ser sambista raiz, mas sua voz e interpretação deram novos contornos ao samba-canção e aos clássicos do gênero. Bethânia gravou sambas que fizeram multidões chorarem e sambarem ao mesmo tempo, sempre com aquele toque teatral e intenso que é a cara dela. A mãe do Caetano Veloso, Dona Canô, já dizia: “essa menina nasceu pra cantar!”. E não é que nasceu mesmo?
Mas se é samba de raiz que você quer, Clara Nunes é o nome que não pode faltar na playlist. Clara foi uma das primeiras mulheres a abrir as portas das grandes casas de espetáculo para o samba, em uma época em que o gênero ainda sofria preconceito. Com sua voz cristalina e interpretações cheias de força e fé, ela foi uma das maiores divulgadoras da cultura afro-brasileira através da música. Vale lembrar que Clara Nunes foi a primeira cantora brasileira a vender mais de 100 mil cópias de um disco só de samba, em uma época sem Spotify, YouTube ou TikTok pra dar aquele empurrão! Hits como “O Mar Serenou” e “Portela na Avenida” são obrigatórios em qualquer roda de samba que se preze.
A lista continua com a icônica Alcione, a “Marrom”, dona de uma potência vocal que faz a batucada tremer até hoje. Nascida no Maranhão, Alcione conquistou o Brasil inteiro com sua voz inconfundível e seu jeito carismático de interpretar sambas e sambas-canção. Hits como “Não Deixe o Samba Morrer” e “Meu Ébano” atravessaram gerações e colocaram a Marrom entre as figuras mais respeitadas da música brasileira. Alcione também foi uma das primeiras mulheres a ganhar prêmios importantes no samba, sempre levantando a bandeira da valorização das mulheres negras na música.
Mart’nália é outro nome que precisa estar na roda. Filha do lendário Martinho da Vila, ela herdou o dom e fez do samba seu passaporte para o mundo. Com um jeito descontraído e uma risada contagiante, Mart’nália mistura samba com outros ritmos, mas sempre mantém o pé na tradição. Ela já ganhou dois prêmios Grammy Latino e é sinônimo de alegria e improviso. Quem já assistiu a um show dela sabe: Mart’nália faz todo mundo sambar, até quem jura que tem dois pés esquerdos!
Não dá pra esquecer da Leci Brandão, compositora, cantora, militante e deputada. Leci usa o microfone e a tribuna para defender o samba, os direitos das mulheres e a igualdade racial. Suas músicas, como “Zé do Caroço” e “Isso É Fundo de Quintal”, são verdadeiros hinos de resistência e empoderamento. Leci Brandão foi a primeira mulher a integrar a ala de compositores de uma das escolas de samba mais tradicionais do país, o Estação Primeira de Mangueira.
E o samba também se renova com nomes como Teresa Cristina, a rainha das lives durante a pandemia de 2020 (saudades, né, minha filha?), que levou o samba de raiz para dentro das casas de todo o Brasil com muita simpatia e voz afinada. Teresa é conhecida por sua devoção à obra de Paulinho da Viola, Cartola e outros mestres, sempre com interpretações cheias de emoção e aquele jeitinho de falar de amor como ninguém.
Essas mulheres, cada uma a seu modo, desafiaram o machismo, o preconceito e as dificuldades do mundo artístico para mostrar que o samba é plural, democrático e, acima de tudo, feminino. Elas não só abriram portas para outras artistas, mas também ajudaram a construir a identidade cultural do Brasil com seus timbres, ritmos e histórias de vida inspiradoras. E você, já montou sua playlist só com sambistas mulheres para esquentar a próxima roda? Se ainda não, tá perdendo tempo!
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