Se você sobreviveu à década de 2010 de fone no ouvido, provavelmente se pegou cantarolando algum refrão indie rock nacional sem nem perceber. Pode até não admitir, mas, no fundo, sabe que aquele groove melódico embalou muita ida pra faculdade, paquera (com resultado duvidoso) e textão nas redes. A verdade é que os anos 2010 foram um terreno fértil para bandas brasileiras de indie rock: um caldeirão de criatividade, sotaques e influências que trouxeram frescor à cena musical do país. Bora embarcar nessa viagem nostálgica — e, claro, talvez descobrir ou redescobrir algumas pérolas que continuam ecoando nos fones até hoje.
Seja nas playlists de road trip ou nas baladas alternativas, nomes como Scalene, Boogarins e Far From Alaska pavimentaram um caminho sonoro autêntico, mostrando que o Brasil também sabe criar riffs marcantes e refrões que grudam igual chiclete. Lembra de “Surreal” do Scalene? Lançada em 2015 no aclamado álbum “Éter”, a faixa capturou com maestria aquele sentimento de inquietação e esperança que marcou a juventude da década. Não à toa, a banda brasiliense foi uma das grandes vencedoras do Grammy Latino de 2016, levando o prêmio de Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa.
Outro destaque impossível de ignorar é o Boogarins, quarteto goiano que conquistou o mundo com uma psicodelia pura e lírica — tudo isso sem abrir mão do jeitinho brasileiro de fazer música. “Avalanche”, do disco “Lá Vem a Morte” (2017), é um mergulho nas ondas criativas desses garotos, que chegaram a rodar o mundo com suas turnês e colocaram o indie rock nacional no mapa global. E quem ouviu “Lucifernandis” (do álbum “Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos”, de 2015) sabe que a viagem é garantida.
Não dá pra falar de 2010 sem mencionar o Far From Alaska. Essa galera de Natal (RN) misturou sotaque, energia e muito peso em faixas como “Dino vs. Dino”, do álbum “modeHuman” (2014), um verdadeiro hino das pistas alternativas e festivais. A mistura de vocais femininos poderosos com guitarras distorcidas mostrou que a cena indie nacional não tinha medo de ousar.
Mas calma, tem mais! O Apanhador Só foi outra banda que brilhou forte na década. Com letras poéticas e arranjos que iam do acústico ao experimental, músicas como “Prédio” (do disco homônimo de 2010) e “Despirocar” (do emblemático álbum “Antes que Tu Conte Outra”, de 2013) conquistaram fãs pelo Brasil inteiro, tornando-se trilha sonora de questionamentos existenciais e saídas de bike pela cidade.
E a vibe dançante do Vanguart? Eles trouxeram aquele folk indie gostoso de ouvir, principalmente em “Meu Sol”, canção que virou clássico instantâneo nas playlists de romance indie. O álbum “Muito Mais Que o Amor” (2013) é daqueles que você põe pra tocar numa tarde nublada e deixa a alma leve.
Para quem curtia um som mais alternativo ainda, o Carne Doce, de Goiânia, explodiu com “Princesa” (2016), álbum que mesclou sensualidade, crítica social e experimentalismo como poucos. “Falo” e “Artemísia” são exemplos de como a década foi generosa com a inventividade.
E se você buscava leveza e nostalgia pop, o Maglore chegou com “Ai, Ai” (2015) e mostrou que a Bahia também tem seu lado indie, embalando corações com o ótimo “Todas as Bandeiras” (2017).
No universo das revelações, o Terno Rei e O Terno ganharam espaço não só pelo nome parecido, mas pela qualidade. O álbum “Atrás/Além” (2019), do Terno Rei, com faixas como “Dias da Juventude”, e o disco “Melhor do Que Parece” (2016), do O Terno, trouxeram maturidade sonora e letras inteligentes, provando que o indie rock nacional dos anos 2010 foi muito além do hype.
Essas (e tantas outras) músicas e bandas marcaram a história do indie rock brasileiro na última década, influenciando uma nova geração e mostrando que a cena independente tem muito a dizer, muito a sentir, e, claro, muito a tocar nos seus fones de ouvido. Curtiu a nostalgia? Então corre escutar esses sons ou montar sua própria playlist lá no Soundz (https://soundz.com.br), a plataforma de streaming de música grátis pra quem ama descobrir bandas, criar playlists exclusivas e ainda ficar por dentro de uma revista digital cheia de novidades. Bora viver (ou reviver) o melhor da música nacional?
