Música

HISTÓRIA: Como DJs Brasileiros Chegaram ao Topo das Paradas

Se alguém dissesse, lá nos anos 90, que DJs brasileiros estariam no topo das paradas mundiais, muita gente provavelmente daria uma risadinha desacreditada e voltaria a dançar “É o Tchan!”. Mas acredite: nas últimas décadas, os toca-discos tropicais rodaram forte e fizeram do Brasil um verdadeiro celeiro de talentos internacionais da música eletrônica. E não foi só com batidas, mas também com criatividade, persistência e aquele tempero inconfundível que só o Brasil tem—misturando samba, funk, bossa nova e até axé com beats globais.

A história começa lá atrás, com figuras como Marky, que, lá no final dos anos 90 e início dos anos 2000, mostrou ao mundo o drum’n’bass à brasileira. DJ Marky levou sua caixa de vinis para Londres e, com “LK (Carolina Carol Bela)”, alcançou o top 20 das paradas britânicas em 2002, um feito inédito para um DJ brasileiro. O mundo começou a prestar atenção: o que era aquilo de misturar Jorge Ben Jor com batidas urbanas e globais? Era Brasil, ué!

Logo depois, outros nomes começaram a surgir como verdadeiros embaixadores da nossa pista de dança. Gui Boratto é um dos exemplos mais emblemáticos: produtor e engenheiro de som, o paulistano lançou o álbum “Chromophobia” em 2007 e conquistou as paradas de techno e house da Europa. Suas músicas chegaram a ser tocadas em festivais gigantes como Tomorrowland e Coachella, e foram remixadas por estrelas do porte de Pet Shop Boys. Boratto não apenas mostrou que brasileiro sabe fazer música eletrônica de altíssimo nível, mas ainda colocou sua assinatura—cheia de melodias e emoção—no som global.

Mas o maior furacão tropical da cena eletrônica atende pelo nome de Alok. O goiano, filho de DJs, começou cedo, mas foi em 2016 que explodiu de vez com “Hear Me Now”, uma colaboração com Bruno Martini e Zeeba. O single virou hit global, acumulando mais de 500 milhões de plays no Spotify até 2025. Alok não parou—foi eleito diversas vezes como um dos 5 melhores DJs do mundo pela DJ Mag, tocou no Rock in Rio, Burning Man e até na Times Square, em Nova York (com direito a projeção gigante no Ano Novo!). Ele colaborou com nomes como Steve Aoki, David Guetta, John Legend e Jason Derulo, consolidando o Brasil como potência na música eletrônica.

E não estamos falando só de homens: a cena eletrônica brasileira também revelou talentos femininos de peso, como ANNA, que nasceu em Amparo, interior de São Paulo, e hoje é uma das maiores DJs de techno do mundo. Com residências em Ibiza e sets nos principais festivais do planeta, ANNA coleciona faixas lançadas por selos renomadíssimos como Drumcode e Kompakt, e já figurou no Top 50 do Beatport múltiplas vezes.

O segredo para tanto sucesso? Além da habilidade técnica, o DJ brasileiro tem aquela malemolência única de misturar influências e criar algo novo. É a bossa nova que vira house, o funk carioca que invade os sets de techno, ou o samba que se reinventa no bass mundial. E claro, há o lado empreendedor: muitos desses DJs investiram pesado em redes sociais, marketing digital e lives durante a pandemia de 2020, quando os clubs fecharam. Alok, por exemplo, fez live em cima do Cristo Redentor (com drone, show de luzes e tudo!) e bateu recordes de audiência, mostrando que brasileiro não perde a criatividade nem de quarentena.

Também não dá para esquecer do papel fundamental dos festivais brasileiros, como o Universo Paralello, XXXperience e Só Track Boa, que ajudaram a criar uma cena forte, profissional e criativa, exportando talentos e atraindo olhares do mundo todo para a música eletrônica feita por aqui.

Se antes o sonho era atravessar o Atlântico, hoje os DJs brasileiros são headliners nos maiores festivais do mundo. As faixas tocadas por Alok, ANNA, Vintage Culture, Mochakk, Felguk e tantos outros não só conquistaram as pistas gringas como inspiraram uma nova geração de produtores e DJs dentro e fora do Brasil.

O topo das paradas? Já é casa! E como toda boa festa brasileira, ainda tem muito chão pra dançar—e muito grave pra estremecer caixas de som mundo afora. Quer conhecer mais da cena, ouvir esses e outros artistas de graça e criar sua própria playlist de hits eletrônicos made in Brazil? Então corre para o Soundz (https://soundz.com.br), a sua plataforma de streaming gratuita e revista digital cheia de novidades sobre música e cultura. Bora dançar, Brasil!

O que achou ?

Artigos relacionados