Música

Os sambas mais emblemáticos da MPB

Quando a gente fala de música brasileira, é impossível não pensar no samba. Ele é aquele amigo animado que chega na festa já com a cerveja e o pandeiro na mão, pronto para transformar qualquer reunião em um momento inesquecível. E quando o samba cruza com a grandiosidade da MPB (Música Popular Brasileira), nascem verdadeiros hinos que atravessam décadas, embalam festas, inspiram protestos e até ajudam a curar ressacas de domingo. Hoje, vamos mergulhar nos sambas mais emblemáticos da nossa MPB, aqueles que você provavelmente já cantou – ou pelo menos tentou acompanhar no refrão, mesmo que a letra tenha dado um nó na língua.

A história do samba está recheada de personagens icônicos, desde os batuques dos morros cariocas até as orquestrações sofisticadas dos grandes festivais. Mas, no universo da MPB, ele ganhou novas cores e sabores. Um bom exemplo disso é “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, composta em 1939. Mais do que uma música, virou cartão postal do país, sendo gravada por nomes como João Gilberto e Gal Costa. Fato curioso: ela foi usada em trilhas sonoras de animações da Disney e até cantada pelo Frank Sinatra (sim, “The Voice” já arriscou um samba no gogó).

Outro clássico incontestável é “Chega de Saudade”, composta por Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Pode parecer mais bossa nova, mas a verdade é que ela nasceu do samba-canção, trazendo toda aquela mistura deliciosa de melancolia e esperança. Foi essa música que deu o empurrão inicial para a revolução musical dos anos 1950 e colocou a batida do samba no mapa mundial.

Agora, se o assunto é samba de raiz com crítica social, não tem como não falar de “O Bêbado e a Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc. Imortalizada na voz de Elis Regina (a nossa eterna “Pimentinha”), a canção virou símbolo da luta pela anistia política durante a ditadura militar. O refrão “Chora, a nossa pátria mãe gentil” ainda arrepia qualquer brasileiro em 2026, especialmente nas rodas de samba de protesto que continuam vivas por aí.

Falando de roda de samba, quem nunca ouviu “Andança”, composta por Danilo Caymmi, Edmundo Souto e Paulinho Tapajós? Gravada por Beth Carvalho, a música virou trilha oficial de encontros de amigos e festas populares. Aliás, Beth merece um parágrafo só dela. Rainha do samba, ela popularizou inúmeros sucessos, como “Coisinha do Pai” (que, acredite, já foi usada até para acordar um robô da NASA em Marte!).

Claro que não podemos esquecer da pungente “A Voz do Morro”, composta por Zé Kéti em 1955. A música ganhou o país na voz dos grandes intérpretes da época e se tornou hino das comunidades cariocas, celebrando a resistência e a alegria do povo do samba. Falando em resistência, “Apesar de Você”, de Chico Buarque, segue sendo cantada a plenos pulmões nas festas e nos protestos, mostrando que o samba também sabe bater de frente quando precisa.

Já que falamos em Chico, vale lembrar de “Vai Passar”, lançada em 1984, em pleno período de abertura política no Brasil. De letra sofisticada e melodia envolvente, a música une o lirismo do samba-enredo com a crítica social, mostrando que o samba pode ser dançante e reflexivo na mesma medida.

E quem nunca foi fisgado pelo ritmo contagiante de “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa? O samba paulistano encontrou em Adoniran sua voz mais original e bem-humorada, contando histórias do cotidiano com uma pitada de drama e muito bom humor. É impossível ficar parado quando a música começa a tocar, e impossível não sorrir com versos como “não posso ficar nem mais um minuto com você…”.

Outro nome fundamental é Cartola, o poeta do Morro da Mangueira, criador de verdadeiras obras-primas como “As Rosas Não Falam” e “O Mundo é um Moinho”. As letras de Cartola são pura poesia, e seus sambas continuam emocionando gerações inteiras.

Para fechar com chave de ouro, não tem como ignorar “Mas, Que Nada”, de Jorge Ben Jor. Lançada em 1963, a música já ganhou versões do mundo inteiro, incluindo uma parceria sensacional com o grupo Black Eyed Peas. “Mas, que nada, sai da minha frente que eu quero passar…” – impossível ouvir e não querer sair sambando por aí!

Esses são só alguns dos sambas mais emblemáticos que a MPB nos deu de presente. O samba é assim: tem memória, tem swing, tem história e tem futuro. Nos acompanha nos momentos de alegria, de dor, de luta e de celebração.

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