Se você já se pegou tentando explicar para um gringo o que é bossa nova, provavelmente usou palavras como “sofisticação”, “leveza”, “sol na pele” e, claro, “Garota de Ipanema”. Mas a verdade é que a bossa nova é tão rica quanto as areias de Copacabana em pleno verão. Nascida no final dos anos 1950, a bossa nova misturou samba com jazz e deu ao mundo uma trilha sonora de violão suave e vozes sussurradas – tudo com aquele jeitinho brasileiro de encantar. E se você acha que já ouviu tudo desse gênero, prepare-se: selecionamos discos essenciais da bossa nova que vão aquecer até os corações mais frios (e os fones de ouvido mais exigentes).
Começando pelo clássico dos clássicos, “Chega de Saudade”, de João Gilberto (1959). Esse álbum é o Big Bang da bossa nova: foi ele quem deu o pontapé inicial ao movimento, apresentando ao mundo o violão sincopado e o canto quase sussurrado de João. Hits como “Chega de Saudade” e “Desafinado” estão aqui, além de uma atmosfera que ainda arrepia qualquer fã de música de qualidade. Se você só fosse ouvir um disco de bossa nova na vida (mas por favor, não faça isso), seria este.
Outro disco obrigatório é “Getz/Gilberto” (1964), que uniu o saxofonista americano Stan Getz, João Gilberto e Tom Jobim. O álbum foi gravado nos Estados Unidos e conquistou o planeta, levando a bossa nova para o topo das paradas internacionais. Nele está a gravação icônica de “The Girl from Ipanema” (ou, para os íntimos, “Garota de Ipanema”), com a voz delicada de Astrud Gilberto. Resultado? Grammy de Álbum do Ano, e a bossa nova nunca mais foi a mesma.
Falando em Jobim, impossível não destacar “O Amor, o Sorriso e a Flor” (1960), disco que consolidou Tom como um dos maiores compositores do século XX. Aqui estão pérolas como “Samba de Uma Nota Só” e “Corcovado”, que mostram a genialidade melódica e harmônica do maestro soberano. É tipo aquele café passado na hora: delicado, intenso e viciante.
Não dá pra deixar Vinicius de Moraes de fora! O poetinha, como era carinhosamente chamado, é presença ilustre em discos como “Os Afro-Sambas” (1966), em parceria com Baden Powell. Apesar de ter uma pegada mais afro-brasileira, o disco é repleto da poesia intimista característica da bossa nova e influenciou muitos músicos depois deles. Baden Powell, aliás, é um show à parte no violão, tocando com alma e virtuosismo.
Para quem curte vozes femininas, “Elis & Tom” (1974) é um prato cheio. Elis Regina, com sua potência vocal inconfundível, e Tom Jobim unem forças em canções como “Águas de Março”, numa gravação histórica feita em Los Angeles. O entrosamento dos dois é tão perfeito que fica difícil não se emocionar (ou ficar com vontade de cantar junto no chuveiro).
Eis que surge Nara Leão com seu “Nara” (1964), mostrando que a bossa nova também tinha atitude e uma voz feminina doce, mas cheia de personalidade. Nara foi uma das primeiras a dar espaço para novos compositores e inovar no repertório, tornando-se a musa do gênero. Vale cada faixa.
Para os curiosos de plantão, que gostam de explorar além dos hits, “Canção do Amor Demais” (1958), de Elizeth Cardoso, é considerado por muitos como o primeiro disco da bossa nova. Com músicas de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, tem as duas faixas com João Gilberto no violão que praticamente inventaram o “batido” característico do gênero. É uma peça de museu – só que você pode ouvir a qualquer hora.
Claro, a bossa nova não parou nos anos 60! Novos artistas surgiram, novas misturas aconteceram, mas esses discos têm aquele sabor original, um convite para abrir uma água de coco, deitar na rede e deixar a vida seguir no compasso do dois pra lá, dois pra cá.
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