Música

O Show que Parou Uma Cidade: A História do Queen no Hyde Park

Imagine uma época em que multidões invadiam parques icônicos não por aplicativos ou festivais gourmet, mas pela pura energia do rock’n’roll ao vivo. Parece ficção? Em 18 de setembro de 1976, Londres literalmente parou para assistir a uma das apresentações mais lendárias da história da música: Queen ao vivo no Hyde Park. Um evento gratuito que, até hoje, ecoa não só nos amplificadores, mas também na memória coletiva dos fãs e da própria cidade.

Naquele final de verão inglês, o Hyde Park já era palco de shows históricos. Mas havia algo especial no Queen naquela noite. Era o auge da “Queenmania” no Reino Unido. Freddie Mercury, Brian May, John Deacon e Roger Taylor estavam embalados pelo sucesso avassalador de “A Night at the Opera” (1975) e do recém-lançado “A Day at the Races” (1976). E, convenhamos, ninguém segura uma banda que faz multidões cantarem “Bohemian Rhapsody” a plenos pulmões.

A estimativa de público varia entre 150 mil e 200 mil pessoas — alguns dizem até mais, porque, francamente, contar fãs de Queen animados não é tarefa fácil. O melhor de tudo: a entrada era gratuita. Isso mesmo, zero libras. Fãs chegaram de todas as partes do Reino Unido (alguns até do continente) e acamparam, literalmente, para garantir um bom lugar e testemunhar Mercury e sua trupe em ação.

O show foi produzido por ninguém menos que Richard Branson, o mesmo gênio por trás da Virgin Records. Ou seja, estava tudo pronto para ser inesquecível. O Queen subiu ao palco por volta das sete da noite, após apresentações de bandas como Kiki Dee Band e Steve Hillage. Mas quando as primeiras notas de “Bohemian Rhapsody” ecoaram, a cidade silenciou. Era impossível competir com Freddie Mercury, vestindo aquele icônico macacão branco, comandando o público como se estivesse no palco de um teatro clássico, mas com o espírito selvagem de um festival de rock.

O repertório foi uma viagem pela carreira do Queen até então. Teve “You’re My Best Friend”, “Somebody to Love”, “Tie Your Mother Down”, “Brighton Rock” e, claro, o encerramento épico com “God Save the Queen”. O público se emocionou, cantou junto, chorou e, provavelmente, saiu do parque com a voz rouca e histórias para contar para os netos. E, como todo grande evento dos anos 70, choveu! Mas, honestamente, ninguém parecia se importar: Freddie Mercury, debaixo de uma tempestade londrina, era mais poderoso que qualquer previsão do tempo.

Curiosidade: há filmagens desse show, mas por questões técnicas e de direitos autorais, o material nunca foi oficialmente lançado até hoje. Ainda assim, versões piratas e trechos sobrevivem no YouTube, provando que, quando o assunto é Queen, nada consegue ficar oculto por muito tempo (nem mesmo nas nuvens carregadas de Londres).

Além do impacto musical, o show do Queen no Hyde Park foi um marco social. Causou congestionamentos, obrigou a polícia a redobrar o policiamento e até mesmo fez com que bares e pubs próximos declarassem quebras de estoque — afinal, multidão feliz precisa de combustível. O evento também solidificou a reputação do Queen como banda de estádios antes mesmo de “We Will Rock You” virar hino universal.

Quase cinco décadas depois, fãs ainda viajam até o Hyde Park para prestar homenagens e reviver, nem que seja por alguns minutos, aquele sábado mágico de setembro. E se você achou que já viu multidão em festival, é porque nunca parou para imaginar o Hyde Park inundado por fãs de Queen, formando uma só voz em homenagem à majestade do rock.

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