Música

O resgate de clássicos musicais no cinema contemporâneo: Como o passado influencia o presente na cultura pop

Quando pensamos em cinema contemporâneo, é impossível ignorar o papel fundamental que a música desempenha na experiência do espectador. E não estamos falando apenas das trilhas sonoras inéditas e bombásticas compostas por nomes como Hans Zimmer e Ludwig Göransson. O que chama a atenção ultimamente é a onda nostálgica que varre Hollywood e outros pólos cinematográficos: o resgate de clássicos musicais para embalar, transformar e até mesmo recontar grandes histórias. Sim, aquela canção que sua mãe cantava enquanto passava pano na casa agora está arrebatando corações em blockbusters e séries de sucesso.

Esse fenômeno não é por acaso. Em 2024, uma pesquisa da Nielsen Music revelou que músicas antigas – lançadas há mais de 20 anos – tiveram um aumento de 27% em streams globais comparado ao ano anterior. No cinema, essa tendência se reflete na escolha de trilhas sonoras que misturam nostalgia, reconhecimento imediato e aquela sensação quentinha de “eu já ouvi isso em algum lugar antes”. Filmes como “Guardiões da Galáxia Vol. 3”, “Stranger Things” (ok, não é filme, mas quem liga?) e até as animações da Disney, como “Encanto”, revivem músicas clássicas ou dão nova roupagem a hits do passado.

Por que isso acontece? Bem, a resposta está na psicologia do público moderno. Em um mundo onde tudo muda rápido demais (alguém aí lembra do último desafio viral do TikTok?), buscar referências do passado é uma forma de encontrar aconchego e identidade. O cinema aproveita essa carona emocional, criando conexões instantâneas com o público de diferentes gerações. Isso explica o sucesso surpresa do renascimento de Kate Bush com “Running Up That Hill” em Stranger Things, que disparou para o topo das paradas do Spotify em 2022, quase 40 anos após seu lançamento. Ou ainda a volta triunfal do Queen em “Bohemian Rhapsody” (2018), que não só rendeu um Oscar ao Rami Malek, como também fez com que uma nova leva de fãs decorasse todas as letras da banda.

E não para por aí. O resgate dos clássicos não se limita ao pop ou rock internacional. O cinema brasileiro também surfa nessa onda. O documentário “Chico: Artista Brasileiro” (2023) resgatou a obra de Chico Buarque para as novas gerações, enquanto filmes como “Turma da Mônica – Laços” colocaram sucessos nacionais dos anos 80 de volta no radar dos jovens. Até mesmo a trilha de novelas – eternas fábricas de hits – foi parar nas telonas, comprovando que o passado musical não é apenas referência, mas também tendência.

Mas o impacto vai além da trilha sonora. As músicas clássicas influenciam o roteiro, o ritmo das cenas e até os figurinos! Basta pensar em “Elvis” (2022), de Baz Luhrmann, que reviveu não só as músicas do Rei do Rock, mas todo o estilo da época. E, claro, quem nunca se pegou cantarolando “Hooked on a Feeling” depois de assistir a qualquer cena do Senhor das Estrelas? A escolha da música certa pode ser o diferencial entre um filme memorável e uma produção facilmente esquecida.

O interessante é perceber como essas músicas, ao serem recontextualizadas, ganham novos significados e alcançam públicos que, muitas vezes, nem eram nascidos quando foram lançadas. O cinema não apenas homenageia o passado, mas também renova o ciclo de vida dessas obras, incentivando playlists, desafios de dança, covers e até memes. Não à toa, segundo o Spotify Wrapped 2024, 18% dos top 50 hits consumidos na plataforma vieram de trilhas sonoras de filmes lançados nos últimos três anos.

Em resumo, o cinema contemporâneo é uma máquina do tempo musical que nos lembra, com estilo e diversão, que os clássicos nunca morrem – apenas mudam de roupa, cenário e, às vezes, até de idioma. Então, da próxima vez que ouvir aquele velho hit em um filme novinho em folha, lembre-se: você não está apenas curtindo uma trilha sonora. Você está participando de um resgate cultural que une passado, presente e, quem sabe, inspira o futuro da música e do cinema.

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