Quando o assunto é televisão, poucos países são tão criativos e apaixonados pelo pequeno grande aparelho quanto o Brasil. Desde os tempos em que reunir a família em frente à TV era sinônimo de diversão garantida, as séries brasileiras ajudaram a moldar costumes, provocar discussões e até inventar bordões que até hoje ecoam nos almoços de domingo. Se você já se pegou falando “Ô coisinha tão bonitinha do pai!” sem nem saber de onde veio, é hora de embarcar nessa viagem nostálgica – e informativa – pelas séries que fizeram história na TV brasileira.
O ponto de partida não podia ser outro: “Os Trapalhões”. Estreando na Rede Globo em 1977, o quarteto formado por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias reinventou o humor nacional. Durante 16 anos, o grupo se tornou sinônimo de risadas, improviso e, claro, muita confusão. Não foi à toa que “Os Trapalhões” entrou para o Guinness Book como o humorístico de maior duração da TV. O impacto foi tão grande que até hoje o termo “trapalhada” faz parte do nosso dicionário afetivo.
Ainda no universo do humor, “A Grande Família” merece destaque. Originalmente criada em 1972, a série ganhou uma versão icônica nos anos 2000, com Marco Nanini e Marieta Severo vivendo Lineu e Nenê. Foram 14 temporadas e mais de 480 episódios, explorando as alegrias e dramas de uma família de classe média carioca. Quem nunca teve um “Agostinho Carrara” na família, que atire o primeiro chinelo! A série foi aclamada por representar com fidelidade o cotidiano brasileiro e tornou-se uma referência de humor inteligente e crítico.
Não dá para falar de séries nacionais sem mencionar “Malhação”. O programa começou em 1995 com uma proposta simples: retratar o universo adolescente, suas paixões, desafios e dilemas. Deu tão certo que ficou mais tempo no ar do que muitos casamentos: foram 27 temporadas, lançando nomes como Cauã Reymond, Sophie Charlotte e Marjorie Estiano. “Malhação” virou escola para atores e espelho para gerações, além de servir como termômetro das transformações sociais vividas pelos jovens brasileiros ao longo das décadas.
Outra série marcante foi “Carga Pesada”, que começou sua trajetória em 1979 e voltou repaginada em 2003. Pedro (Antônio Fagundes) e Bino (Stênio Garcia), com seu inconfundível caminhão, desbravaram as estradas brasileiras enfrentando desafios e injustiças sociais. Além do entretenimento, a série tratou de temas sensíveis como tráfico de pessoas, corrupção e meio ambiente, sempre com o toque de humanidade dos personagens principais.
Os anos 2000 também foram férteis em inovações para o gênero. “Cidade dos Homens”, derivada do filme e da minissérie “Cidade de Deus”, estreou em 2002 e mostrou o dia a dia de dois jovens na favela carioca, abordando com realismo questões como violência, amizade e esperança. A série foi aclamada internacionalmente, recebendo indicações ao Emmy Internacional e sendo exibida em dezenas de países.
Para quem curte drama, “Sob Pressão” virou referência ao mostrar os bastidores caóticos de um hospital público no Rio de Janeiro. Lançada em 2017, a série foi inspirada no filme homônimo e rapidamente conquistou público e crítica. Misturando suspense, emoção e dilemas éticos, manteve-se atual ao retratar a luta do sistema de saúde brasileiro e seus profissionais, especialmente durante a pandemia de Covid-19.
Tem espaço até para o sobrenatural! “Os Normais”, exibida entre 2001 e 2003, trouxe um humor de situações absurdas, diálogos afiados e personagens completamente malucos – e, ainda assim, “normais” como qualquer brasileiro. Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) se tornaram ícones da comédia nonsense, influenciando uma geração de roteiristas e humoristas.
E como não mencionar as séries infantis? “Castelo Rá-Tim-Bum”, exibida pela TV Cultura entre 1994 e 1997, virou clássico absoluto com seu universo mágico, personagens inesquecíveis como Nino, Morgana e Celeste, e roteiros que misturavam diversão e aprendizado. A série ganhou diversos prêmios, incluindo o Prix Jeunesse, e até hoje arrasta multidões de fãs nostálgicos em exposições e eventos.
Em tempos mais recentes, a diversidade também ganhou espaço com séries como “3%”, a primeira produção brasileira da Netflix, lançada em 2016. Com enredo distópico e crítica social afiada, a série foi vista em mais de 190 países e abriu caminho para outras produções nacionais na era do streaming.
Essas séries são verdadeiros retratos de suas épocas, mostrando desde os dilemas cotidianos até discussões complexas sobre identidade, política e sociedade. São obras que, além de entreter, fazem pensar, emocionam e – por que não? – dão aquela vontade irresistível de maratonar tudo de novo.
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